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Delegado bom também faz falta na delegacia

O delegado André David voltou ao centro de uma disputa que merece menos cerimônia e mais objetividade. Emília Corrêa assinou, em 7 de outubro, pedido para manter sua cessão à Prefeitura de Aracaju, protocolado no dia 8. Fábio Mitidieri disse então que ainda não havia recebido o documento. Até a última consulta, não havia decisão oficial localizada. Enquanto o papel circula, fica a pergunta: onde André seria mais útil?

Currículo ele tem. Passou pela 2ª Delegacia Metropolitana, por unidades do interior e por funções operacionais no Cope e no Denarc. Também atuou na Segurança e Cidadania de Aracaju, com iniciativas de prevenção. Já afirmou preferir viatura a gabinete. Ótimo. A Polícia Civil oferece uma excelente oportunidade de transformar preferência em expediente: ocorrência chega sem pedir horário na agenda.

Sergipe precisa saber quantos delegados estão investigando crimes e quantos exercem outras atribuições. Katarina Feitoza está na política, Alessandro Vieira no Senado, enquanto outros profissionais ocupam funções administrativas. Isso não comprova, sozinho, déficit no efetivo. A SSP precisa informar lotações, cessões e unidades sobrecarregadas. Sem números, a discussão vira aquele conhecido debate sergipano: todo mundo conhece alguém, mas ninguém apresenta a planilha.

Se houver carência comprovada, faz sentido avaliar André numa delegacia metropolitana ou em cidades estratégicas como Itabaiana, Lagarto e Estância. Isso não diminui a importância da segurança municipal. Apenas exige que a distribuição de servidores acompanhe a necessidade real. O exercício de funções policiais durante uma cessão depende dos atos administrativos e das atribuições autorizadas, não de slogans. 

A prefeita pode desejar o delegado na equipe; o governador precisa responder com critérios e transparência. André David, pela experiência operacional, também pode contribuir diretamente com investigações e colegas de corporação. Há uma ironia deliciosa nisso: o profissional que prefere a viatura pode ficar estacionado na burocracia. Segurança pública, afinal, não se mede pelo tamanho da placa na porta do gabinete, mas pelo trabalho entregue à população.

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