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Editorial: Fábio tem R$ 45 milhões para obras, mas precisa de 90 dias para descobrir quanto vale um professor!

O governador Fábio Mitidieri transformou a educação sergipana numa contradição milionária. Enquanto professores enfrentavam 31 dias de greve pela valorização da carreira, a máquina administrativa continuava funcionando com contratos de milhões. Os registros oficiais revelam R$ 18,6 milhões para uma escola em Monte Alegre, R$ 14,3 milhões para outra em Tobias Barreto e R$ 12,5 milhões para prédios administrativos da Educação. Somente três contratos somam R$ 45,5 milhões! Obras importantes, ninguém discute. Mas como o governo consegue planejar milhões em concreto e precisa de mais 90 dias para apresentar uma proposta aos professores? Parece que, para Fábio, parede tem prioridade, cimento tem prestígio e professor precisa pegar senha para ser valorizado!

E a engrenagem financeira não para nas construções. A Educação mantém contratos de transporte escolar, limpeza, vigilância, manutenção e terceirização. Em 2025, dez empresas contratadas operavam 533 veículos escolares. O próprio governo estimou em R$ 64,4 milhões anuais a manutenção de um abono temporário de R$ 532,57, diferente da recomposição salarial reivindicada pelo Sintese. Os contratos legítimos precisam ser honrados, mas a valorização do magistério também exige planejamento. O governo ainda precisa revelar quanto efetivamente pagou às empresas em 2026 e quantos professores temporários mantém contratados. A pergunta é simples: por que existe tanta desenvoltura para administrar contratos e tamanha lentidão para resolver a carreira docente? Ônibus transporta aluno, empresa conserva prédio, mas quem transforma tudo isso em educação é o professor!

Depois de 31 dias de paralisação, o governo apresentou sua grande solução: uma comissão com prazo de 90 dias para elaborar uma proposta! Os professores suspenderam a greve em 9 de outubro, mas não receberam a implantação imediata dos escalonamentos reivindicados, de 40% a 100%. A discussão envolve inclusive decisões do Supremo Tribunal Federal, cujos efeitos precisam ser observados. Mas Fábio conseguiu uma façanha: deixou o conflito atravessar um mês e apresentou como saída mais três meses de negociação. É a pedagogia do empurra com a barriga! Professor reivindica, governo promete estudar, aluno perde aula e o calendário vira especialista em adiar respostas. Se comissão fosse sinônimo de solução, Sergipe já teria conquistado o Nobel da Educação!

Fábio Mitidieri precisa compreender que professor não é adversário político nem figurante de inauguração. É quem ensina, prepara gerações e sustenta a escola pública. Os R$ 45,5 milhões são valores contratados para obras, não pagamentos comprovados durante a greve, mas demonstram a dimensão das responsabilidades financeiras administradas pelo Estado. A sociedade merece conhecer também o custo da recomposição da carreira e um cronograma efetivo para sua implementação. O governador foi reeleito, mas a vitória aumentou suas obrigações, não seu estoque de desculpas. Os professores suspenderam a greve e assumiram a responsabilidade de repor as aulas. Agora falta Fábio cumprir a própria lição. Porque escola bonita sem professor valorizado é apenas um prédio esperando uma educação de verdade. Governador, os professores já fizeram a prova de resistência. Quem continua de recuperação é o seu governo!

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