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Editorial: Férias no Palácio: todo mundo viaja, o povo fica olhando

Dezembro nem chegou e a política sergipana já parece saguão de aeroporto: mala, passagem e disputa pelo último assento! Em novembro de 2024, Fábio Mitidieri viajou à Argentina para assistir o jogo do Botafogo; semanas depois, saiu novamente para o Natal em família. Em dezembro de 2025, repetiu a agenda familiar. E agora? Se resolver descansar outra vez, será uma escolha a ser anunciada oficialmente, não uma viagem confirmada. A profecia é de humor: no Palácio, o calendário pode virar cartão de embarque.

Pela Constituição, o primeiro a receber as chaves seria Zezinho Sobral, ainda vice-governador, embora eleito deputado estadual. Mas e se ele também planejar uma folga? A cadeira passaria ao presidente da Assembleia, Jeferson Andrade. Só na ausência dos três primeiros da fila chegaria a vez de Iolanda Guimarães. Não é rodízio de resort: a sucessão tem regras, atos formais e horários que precisam bater. Imaginar o trio despachando malas junto rende comédia; afirmar que combinaram viagem seria inventar roteiro.

Iolanda já governou interinamente em maio de 2025 e abril de 2026. Uma terceira passagem, no apagar das luzes do mandato à frente do TJSE, seria cena de despedida com trilha sonora! Para a próxima Mesa do Tribunal, circulam os nomes de Diógenes Barreto na presidência, João Hora na vice e Simone Fraga na Corregedoria. Até lá, Iolanda não precisa reservar gabinete no Palácio: basta que a Constituição seja observada, caso a hipótese se materialize.

Enquanto isso, o povo não ganha milhas, ganha boletos. Em outubro, São Cristóvão cobrou fiscalização da Iguá por falta de água; em novembro, moradores de outras cidades ainda relatavam torneiras secas. O MPT acionou o Estado por problemas sanitários e estruturais em delegacias. E os professores? Receberam reajuste de 5,4% em 2026, sim, mas seguem cobrando a retomada integral da carreira, tema de greve e disputa judicial. Para esses problemas, infelizmente, ninguém conseguiu emitir passagem só de ida.

Se o governador tirar férias, que informe datas, destino e transmissão do cargo; se ficar, que mostre o andamento das respostas. O direito ao descanso não suspende o dever de governar. O sergipano assiste à dança das cadeiras, enquanto espera água na torneira, delegacia em condições dignas e solução para a carreira docente. No cenário hipotético, todo mundo poderia viajar e até Iolanda dar um último tchau do Palácio. O povo? Continua no portão de embarque da cidadania, ouvindo no alto-falante: “Seu atendimento foi adiado. Motivo: problemas de conexão com a realidade!”

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