Luiz Inácio Lula da Silva promete voltar a Sergipe mais uma vez, e o sergipano já acompanha esse calendário com a paciência de quem espera carro-pipa em verão bravo: olhando para a estrada, ouvindo promessa e sem saber se vem água, obra ou só discurso com cheiro de palanque. O governador Fábio Mitidieri disse ter reservado o próximo dia 29 para receber Lula em terras sergipanas, com anúncio de investimentos, ponte, adutora, obra e abertura dos festejos juninos. Tudo muito bonito no papel. O problema é que o povo já aprendeu que promessa de bilhão não paga conta, não enche caixa d’água e não bota concreto em ponte. O sergipano quer ver é o pix cair na conta do Governo do Estado, com dinheiro liberado de verdade, e não apenas slide colorido em evento com microfone, faixa e fotografia oficial.
O detalhe curioso é que essa visita já parece reprise de novela que muda o horário, mas mantém o mesmo enredo. Primeiro veio a expectativa, depois surgiram justificativas, agenda médica, viagem internacional e Sergipe novamente ficou esperando o avião presidencial como agricultor olhando para o céu em tempo de seca. E aí nasce a pergunta que incomoda: Sergipe virou prioridade nacional ou apenas cenário bonito para fotografia política? Porque anúncio tem de sobra. Discurso tem demais. Promessa de obra aparece até com trilha sonora. Mas dinheiro depositado, contrato andando, máquina trabalhando e obra saindo do chão ainda são capítulos que o povo quer assistir sem intervalo comercial.
O governo federal anuncia investimento com empolgação de locutor de vaquejada em noite cheia. É ponte para um lado, adutora para o outro, PAC no meio, bilhão voando no discurso e aquele palavreado técnico que faz qualquer coletiva parecer missa de formatura de engenheiro. Só que o povo simples já entendeu a matemática: bilhão prometido não é bilhão transferido. Anúncio não resolve torneira seca. Cerimônia não tapa buraco. Fotografia com autoridade não substitui obra pronta. Sergipe não precisa de mais promessa embrulhada para presente. Precisa de recurso efetivo, cronograma sério, execução rápida e resultado aparecendo na vida do cidadão.
Durante a eleição de 2022, Lula praticamente não fez de Sergipe uma parada prioritária. Agora, com 2026 começando a mexer os bastidores, o presidente reaparece com agenda, aliados, anúncio e muito aperto de mão. E política nordestina tem uma regra antiga: presidente não atravessa o país só para comer milho, dançar forró e sorrir para câmera. Toda visita tem recado, palanque, composição e cálculo. Ainda mais em Sergipe, onde eleição começa cedo, conversa de bastidor rende mais que feira de Itabaiana e cada fotografia pode virar senha para 2026.
No fim das contas, Sergipe continua preso nesse namoro complicado entre esperança e promessa oficial. O palanque se anima, o governo sorri, os aliados batem palma e o povo escuta tudo com um olho no discurso e outro na conta bancária do Estado. Porque o sergipano não quer mais ouvir apenas que “vem bilhão por aí”. Quer saber quando chega, quanto chega, para onde vai, quem executa e quando a obra aparece. Promessa, meu amigo, Sergipe já tem no estoque. Agora o povo quer ver o pix na conta, a máquina na rua e a obra entregue. O resto é sanfona tocando bonito enquanto a conta continua sem pagamento.




