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Fábio administra, Ricardo ensaia e Valmir entra em campo

Nas últimas 24 horas, os três candidatos ao Governo de Sergipe pareceram disputar modalidades diferentes da mesma Olimpíada política. Fábio Mitidieri competiu no levantamento de apoios, Ricardo Marques participou da prova de apresentação de propostas e Valmir de Francisquinho entrou no octógono, colocou as luvas e foi discutir até com a campainha. Fábio recebeu a adesão do vice-prefeito de Simão Dias e divulgou números de obras. Ricardo falou de empregos e apresentou sua candidata a vice. Valmir foi à televisão, respondeu ao governador, enfrentou a imprensa e ainda terminou o dia discutindo com o TRE por causa de um jingle. Em resumo, Fábio movimentou a estrutura, Ricardo movimentou o programa, mas foi Valmir quem movimentou a eleição.

Fábio teve um dia de governador em campanha. Recebeu apoio, mostrou investimento, falou em união e deixou a assessoria trabalhar como uma linha de montagem de boas notícias. Sua frase para resumir as 24 horas poderia ser: “Tragam mais um aliado e encontrem um ângulo bonito para a fotografia.” O problema é que, atrás do cenário iluminado, havia o PT discutindo se comparece à convenção, professores falando em mobilização e Priscila Felizola devolvendo uma provocação que o governo talvez preferisse ter guardado na gaveta. Fábio terminou o dia como quem organizou uma festa elegante, contratou o bufê, chamou os prefeitos e depois descobriu que alguns convidados estão brigando na cozinha. A fotografia ficou boa. O áudio ambiente, nem tanto.

Ricardo Marques seguiu por outro caminho. Falou sobre o jovem que precisou deixar Sergipe em busca de emprego, defendeu menos burocracia e anunciou a pastora Salete como sua vice. Sua frase de efeito poderia ser: “Enquanto os dois brigam pelo volante, eu apresento o destino.” É uma estratégia inteligente, programática e respeitável. O problema é que política também precisa de plateia, repercussão e presença. Ricardo apresentou o roteiro, escolheu a vice e falou de desenvolvimento, mas ainda parece aquele bom aluno que levou o trabalho completo para a sala e descobriu que os colegas estavam mais interessados na discussão do corredor. Tem conteúdo, tem discurso e tem proposta. Falta apenas alguém aumentar o volume do microfone.

Valmir, por sua vez, não teve um dia tranquilo, mas teve um dia vivo. Foi à televisão defender a educação de Itabaiana, rebateu a acusação de fechamento de escolas, apresentou números de matrículas e partiu para o confronto com setores da imprensa. Depois, viu seu jingle ser atingido por uma decisão liminar do TRE. Um político convencional passaria o restante do dia explicando a decisão em linguagem jurídica e pedindo silêncio à assessoria. Valmir fez o contrário. Continuou no centro da conversa. Sua frase poderia ser: “Podem tirar a música, mas terão dificuldade para retirar o cantor do palco.” O jingle saiu temporariamente do ar, mas o candidato permaneceu tocando em todas as rádios, portais e rodas políticas. Até quando perde uma peça de comunicação, Valmir encontra um jeito de ganhar o assunto.

A analogia final é simples. Fábio passou as últimas 24 horas como o dono de uma grande empresa, exibindo balanço, contratando novos sócios e fingindo não ouvir o barulho vindo do setor de pessoal. Ricardo apareceu como o consultor que chegou com o planejamento estratégico, os gráficos e uma proposta bem encadernada, mas ainda procura alguém para convocar a reunião. Valmir surgiu como o vendedor que abre a porta, conversa com o cliente, discute com o concorrente, enfrenta a fiscalização e ainda volta para perguntar se alguém ficou com dúvida. Fábio teve a melhor articulação. Ricardo apresentou a mensagem mais organizada. Mas Valmir teve aquilo que eleição nenhuma compra apenas com estrutura: presença, conflito, reação e capacidade de obrigar os outros dois a responderem ao seu movimento. Nas últimas 24 horas, um mostrou poder, outro mostrou ideias e Valmir mostrou que está disputando.

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