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Flávio enfrentou. Lula esqueceu.

Renata Lo Prete colocou Lula e Flávio Bolsonaro diante de perguntas que exigiam mais do que discursos ensaiados. Na quinta-feira (15), o presidente precisou defender sua gestão; na sexta (16), o adversário apresentou propostas e demonstrou desenvoltura. Lula admitiu desconhecer a ausência de reajuste do Bolsa Família desde 2023. Flávio prometeu reduzir ministérios, equilibrar as contas públicas e preservar programas sociais. Enquanto um tentava explicar o passado, o outro procurava apresentar caminhos para o futuro. E Lula, que sempre tratou o Bolsa Família como vitrine, parecia desconhecer o que acontecia dentro da própria loja.

O constrangimento presidencial ganhou força quando Lula afirmou não saber que o benefício permanecia sem correção. Negou oportunismo eleitoral e disse ter determinado o reajuste ao descobrir o problema. Curioso: o presidente que conhece de memória seus feitos históricos não acompanhava um dos principais programas de seu governo. Flávio, por sua vez, manteve postura tranquila, respondeu às cobranças sobre suas propostas econômicas e anunciou que abriria mão da reeleição. As medidas ainda exigem detalhamento financeiro, mas o candidato conseguiu estabelecer uma agenda própria, sem ficar exclusivamente preso às críticas ao adversário.

Na segurança pública, Flávio defendeu medidas mais duras contra o narcotráfico, enquanto Lula surpreendeu ao apoiar a redução da maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos. Depois de anos de resistência de seu campo político, a mudança apareceu justamente no segundo turno. Coincidência ou conveniência eleitoral? No Judiciário, Flávio sustentou críticas ao Supremo e a Alexandre de Moraes. Lula também falou em mudanças na Corte. Renata cobrou explicações dos dois, inclusive sobre o Banco Master e o financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro. A diferença esteve principalmente na postura: Flávio buscou transmitir firmeza; Lula precisou justificar contradições.

Flávio deixou a entrevista com propostas, frases de impacto e uma comunicação segura. Lula saiu marcado pelo desconhecimento admitido sobre o Bolsa Família e por mudanças de posição que merecem explicações. Nenhum candidato respondeu satisfatoriamente a tudo, mas o contraste político ficou evidente. Um procurou demonstrar disposição para mudanças; o outro teve dificuldades para prestar contas de decisões do próprio governo. Renata fez as perguntas. Flávio apresentou seu projeto. Lula, em alguns momentos, parecia precisar de um relatório sobre a administração que ele mesmo comanda.

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