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Kassio no TSE

Kassio Nunes Marques chega ao comando do Tribunal Superior Eleitoral carregando uma mistura bem brasileira de currículo acadêmico forte, decisões polêmicas e torcida organizada dos dois lados da política. Filho de professores da rede pública do Piauí, formado pela UFPI, mestre em Lisboa e doutor em Salamanca, ele saiu do TRF1 direto para o STF pelas mãos de Jair Bolsonaro. Agora assume o TSE justamente no momento em que o Brasil parece transformar eleição em final de Libertadores com audiência do Supremo. 

Em Sergipe, muita gente já olha para Kassio com aquela esperança típica do eleitor cansado de gritaria institucional. O comentário nas rodas políticas é quase o mesmo: “que pelo menos tenha paz”. Depois de anos de tensão entre TSE, Congresso, redes sociais, urnas, live, investigação, hashtag e gente descobrindo artigo constitucional no WhatsApp da família, o sergipano quer uma eleição em que o assunto principal volte a ser voto, e não guerra judicial em tempo integral. Nos bastidores políticos daqui, a expectativa é que Kassio conduza o processo de 2026 com mais serenidade, menos holofote e menos clima de apocalipse eletrônico.

Kassio também carrega suas polêmicas. Foi criticado quando flexibilizou pontos da Lei da Ficha Limpa, apanhou durante a pandemia pela decisão sobre cultos religiosos e virou alvo frequente de militância digital tanto da esquerda quanto da direita. O curioso é que ele conseguiu um feito raro no Brasil: desagradar os dois lados em momentos diferentes. Isso, no STF, quase funciona como certificado de autenticidade institucional. Nas redes sociais, cada decisão dele vira análise jurídica, guerra ideológica e campeonato de especialista em processo constitucional de sofá. 

A posse teve ainda um daqueles momentos que parecem roteiro de série política. Michelle Bolsonaro apareceu elegante, sorridente e acabou sentada praticamente ao lado de Viviane Barci de Moraes. O Brasil parou para analisar cadeira, distância, olhar, cumprimento e até respiração. Michelle cumprimentou Viviane e Alexandre. Enquanto isso, muita gente lembrava o contrato milionário envolvendo Viviane e o Banco Master, estimado em R$ 129 milhões, tema que ainda rende debate pesado nas redes. 

No fim, Kassio assume o TSE com uma missão simples de explicar e dificílima de executar: devolver normalidade às eleições brasileiras. E talvez seja exatamente isso que Sergipe espera dele. Menos tribunal estrelando crise política e mais Justiça Eleitoral funcionando como árbitro discreto de campeonato importante. O eleitor sergipano quer votar para governador, senador, deputado e presidente sem sentir que está entrando num episódio de Brasília em Guerra Mundial. Se Kassio conseguir fazer o brasileiro voltar a discutir proposta em vez de viver em estado permanente de surto institucional, já terá feito mais do que muito marqueteiro prometeu em campanha.

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