Na política sergipana, existe deputado, existe senador e existe Laércio Oliveira, que já virou praticamente uma categoria própria da estrutura eleitoral. Laércio consegue ser direita no café da manhã, centro no almoço e aliado da esquerda no jantar, sem perder a compostura e sem derramar o cafezinho. Diz que vota em Flávio Bolsonaro para presidente, vota em Rodrigo Valadares como nome da direita e vota em Fábio Mitidieri para governador. O homem não monta palanque, ele monta um shopping center político com várias entradas e todas com estacionamento próprio.
Não é exatamente novidade. Em 2022, Laércio já pediu voto simultaneamente para Jair Bolsonaro e Fábio Mitidieri no segundo turno, dizendo com toda tranquilidade que tinha compromisso com os dois e que era importante eleger ambos. Ele próprio declarou: “tenho um compromisso com meu candidato a governador Fábio Mitidieri, assim como tenho com o presidente Bolsonaro”. Ou seja, ele já praticava esse multiverso eleitoral antes mesmo de virar moda. O homem não faz aliança, faz harmonização política.
Agora, em 2026, o roteiro ficou ainda mais sofisticado. Laércio sinaliza apoio ao projeto nacional de Flávio Bolsonaro, mantém proximidade com Fábio Mitidieri no plano estadual e ainda vota com Rodrigo Valadares sem perder o crachá institucional. E aí surge o detalhe mais divertido: no mesmo palanque onde ele sobe, o candidato do PL ao governo, Ricardo Marques, praticamente fica sem cadeira. A sensação é que a regra é simples: ou Laércio sobe, ou Ricardo desce. Os dois no mesmo palco parece reunião de condomínio com ex-casal brigado.
E tem método nisso. Laércio não é confusão, é cálculo. Pegou o sobrinho, Levi Oliveira, e posicionou com atenção cirúrgica na federação de PP e União Brasil. Quer musculatura para hoje e estrutura para 2030. Pegou aliados próximos, reorganizou peças e espalhou influência como quem joga xadrez olhando três eleições na frente. Tem gente jogando dama e Laércio já está discutindo sucessão presidencial no tabuleiro do dominó.
Seu amigo pessoal, o deputado Luciano Pimentel, segue dentro dessa engenharia política. Seu afilhado político, Tiago Rangel, também foi colocado em posição estratégica. O senador não planta candidatura, ele faz irrigação por gotejamento. Quando o povo percebe, já nasceu uma floresta eleitoral inteira e ele continua dizendo, com aquela calma de quem parece estar apenas comentando o tempo: “vamos conversando”.
E talvez aí esteja seu maior talento. Laércio fala baixo e decide alto. Não grita, não bate na mesa, não faz live com raiva no carro. Ele prefere aquele estilo de político que parece estar sempre tranquilo demais para quem está mexendo tanto no tabuleiro. Enquanto uns fazem discurso de guerra, ele aparece como torcedor do Santa Cruz Futebol Clube, carregando sua velha Santa Cruz no peito e outra Santa Cruz invisível guiando seus passos políticos. E convenhamos, para sobreviver na política sergipana, só com muita fé mesmo.
Chamam Laércio de advérbio de lugar, e com certa razão. Ele está aqui, acolá, dentro, fora, perto, longe, atrás e na frente ao mesmo tempo. Se duvidar, consegue estar no palanque de Lula tomando café e no de Flávio Bolsonaro pedindo reforço no almoço. Não é contradição, é sobrevivência de alto nível. É quase um kit multimídia institucional com Wi-Fi próprio e sinal forte em qualquer espectro ideológico.
No fim, Laércio Oliveira é isso: um político inteligente, estratégico e perigosamente calmo. Enquanto muitos tentam entender de que lado ele está, talvez a resposta mais correta seja outra: ele está do lado dele mesmo, e isso, na política, costuma ser a forma mais eficiente de continuar vencendo. Criticar é fácil. Difícil é fazer o que ele faz: estar em todos os lugares e ainda sair da foto parecendo apenas um observador inocente.





Uma resposta
Bom dia.!
O Senador está corretíssimo.
Na sua última entrevista,definiu seu primeiro voto para Senador.
Edvaldo Nogueira.