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Lula e Flávio na Band: a pegadinha acabou, agora começa o interrogatório político

A política brasileira resolveu transformar o domingo em sessão especial de televisão. Às oito da noite, Lula e Flávio Bolsonaro estarão frente a frente na Band, no primeiro debate entre os dois nesta eleição. E o espetáculo começou antes mesmo de acenderem as câmeras. Flávio disse que não iria, Lula confirmou presença e, quando parecia que o presidente teria um púlpito vazio pela frente, o senador anunciou que também estaria lá. Chamou a manobra de armadilha. Na política, até ausência anunciada virou estratégia de marketing. O problema é que agora os dois terão de comparecer com algo mais consistente que vídeos bem editados e frases ensaiadas.

A Folha detalhou a programação: três blocos, aproximadamente duas horas e meia hora de confronto livre logo na abertura. Para quem gosta de política, é praticamente um teste de resistência sem controle remoto. De um lado, Lula terá de defender os resultados do próprio governo e explicar suas promessas. Do outro, Flávio precisará mostrar propostas e responder pelo que diz, sem transformar cada pergunta numa lembrança do pai. Com câmeras, relógio e adversário à frente, o discurso confortável das redes sociais costuma descobrir uma novidade desagradável: existe réplica.

Nos bastidores, a Band prepara cenário, iluminação, microfones e esquema de segurança para que tudo funcione. A emissora também divide a transmissão com veículos como Estadão, Cultura, Gazeta e Jovem Pan. Tudo muito bem planejado. Só falta a parte que nenhum técnico consegue testar: o que acontece quando um candidato pergunta algo que o outro preferia não ouvir. Flávio celebrou sua mudança de ideia como uma pegadinha bem-sucedida; Lula, que havia evitado debates no primeiro turno, agora quer o confronto. Se a estratégia foi uma peça teatral, domingo termina o ensaio e começa o improviso.

O eleitor merece mais que uma disputa de bordões. Quer saber de custo de vida, segurança, emprego, contas públicas e do que efetivamente será feito a partir de janeiro. A expectativa cresce porque a diferença de votos no primeiro turno foi pequena, e cada resposta será examinada por militantes e indecisos, além de virar recorte de quinze segundos na internet. A Band montou o palco, os candidatos garantiram presença e a plateia nacional está convidada. Resta descobrir se veremos um debate presidencial ou duas campanhas disputando quem produz o melhor meme. A democracia, convenhamos, merece a versão completa, sem filtro e sem botão de editar.

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