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Na Alese, o mandato virou santinho

A Assembleia Legislativa de Sergipe entrou oficialmente no período em que o deputado continua parlamentar por obrigação e candidato por vocação. O plenário esfriou, mas o interior ferveu. Projeto pode esperar; prefeito, vereador e liderança com cinquenta votos, jamais.

Georgeo Passos foi para São Cristóvão com Valmir e Eduardo Amorim, recolhendo apoio como quem passa a sacola no fim da feira. Jorginho Araújo apareceu com Miltinho, Jeferson Andrade e André Moura, porque em ano eleitoral fotografia com liderança vale quase tanto quanto voto, às vezes vale menos, mas fica melhor no Instagram.

Jeferson Andrade, presidente da Casa e candidato a vice, ainda entregou uma curiosidade: declarou patrimônio de mais de R$ 5 milhões, bem acima do titular da chapa. Nada ilegal. Só uma dessas ironias da política em que, no papel, o vice parece financeiramente mais preparado para governar que o governador. Linda Brasil aposta na militância e no discurso ideológico. Paulo Júnior escolhe segmentos. Os demais fazem o velho arroz com feijão: visita, abraço, promessa, foto, café morno e a garantia de que “agora vai”.

A verdade é simples: a Alese virou um grande comitê eleitoral com ar-condicionado. Cada gabinete tem um mapa, cada deputado tem um reduto e todo mundo parece ter descoberto, de repente, um amor profundo por povoado onde não pisava desde a eleição passada. O grande projeto em tramitação agora é outro: a reeleição. E esse não passa por comissão, não aceita emenda e não tem pedido de vista. Quem dá o parecer final é o eleitor. Até outubro, portanto, a Assembleia continua funcionando. Só não conte muito com os deputados parados nela.

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