Natanzinho Lima cantou na festa da vitória de Fábio Mitidieri, que apoia Lula. Agora, circulam especulações de apoio do cantor a Flávio Bolsonaro, ainda sem declaração verificável. Se vier a confirmação, o governador terá descoberto uma modalidade moderna de sofrência: dançar com o artista e perder o par na urna. Haja gelo no copo!
Fiote, pai do cantor, disputou uma cadeira de deputado federal pelo PP, depois de ter sido anunciado como pré-candidato pelo Republicanos. A política sergipana troca de legenda com a desenvoltura de quem troca o tom da sanfona. No repertório de Natanzinho, “Mentira Estampada na Cara” trata de desilusão amorosa. No palanque, convém conferir o combinado antes de distribuir o título de traído: cantar numa festa não é assinar casamento eleitoral.
Quem abre uma empresa, contrata e tenta crescer merece um governo que facilite a vida. Se Flávio pretende conquistar esse eleitor, terá de apresentar contas, metas e propostas que resistam à calculadora. Imposto tem uma vocação musical extraordinária: entra baixinho na promessa e vira trio elétrico no caixa. O empreendedor pede espaço para trabalhar; a burocracia responde com um solo de carimbo.
E o Bolsa Família não transforma ninguém em figurante da mesmice: necessidade não é defeito de caráter nem mede inteligência. A cobrança deve alcançar os governantes: proteção para quem precisa, oportunidades para prosperar e responsabilidade ao gastar. O Brasil merece sair da sofrência sem cair em outro romance de promessa fácil. Na música, o bis é uma alegria; na conta do contribuinte, ninguém aguenta mais o mesmo refrão.




