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Nem na casa dos aliados Fábio consegue unanimidade

A passagem de Fábio Mitidieri por Propriá produziu uma cena politicamente desastrosa: até Neto Guimarães, filho do prefeito Luciano Nascimento e da primeira-dama Jeane, aliados do governador, foi às redes sociais manifestar revolta. Neto começou reafirmando que Fábio é seu candidato, mas o restante do pronunciamento pareceu uma justificativa para deixar de votar nele. Quando até o filho de um aliado precisa pedir publicamente que o governador “acorde”, é porque a insatisfação já entrou pela porta da frente do grupo governista.

A indignação surgiu depois de Fábio Mitidieri, numa cidade onde parte expressiva dos seus apoiadores rejeita o PT, exaltar Lula durante o ato político. Segundo Neto, o governador recebeu poucas palmas e só não ouviu uma vaia maior porque muita gente permaneceu calada. O episódio revela a contradição de uma campanha que deseja os votos dos conservadores, mas sobe ao palanque para fazer propaganda de Lula e Rogério Carvalho. Fábio parece querer montar no cavalo da direita enquanto segura a bandeira da esquerda. Em política, esse tipo de acrobacia costuma terminar no chão.

Neto também afirmou que não ocupa cargo comissionado e não deve favores ao governador, chegando a sugerir que outros aliados estariam calados por manterem compromissos com a administração estadual. A crítica ficou ainda mais pesada ao invadir a própria família: ele relatou que foi pressionado pelos pais a apagar as publicações e que sua mãe teria dito que, se mantivesse o conteúdo, deveria “esquecer que tinha mãe”. Fábio conseguiu uma façanha rara: foi a Propriá pedir votos e deixou como lembrança uma crise política dentro da casa do prefeito.

Faltando 14 dias para a eleição, o episódio mostra que o apoio a Mitidieri pode existir no adesivo, mas a irritação já domina a conversa. Neto diz que vota em Fábio, porém fala como alguém procurando motivos para não votar. Se nem os filhos dos próprios aliados conseguem engolir a estratégia do governador, imagine o eleitor que não tem cargo, contrato, parentesco nem obrigação de bater palmas. Fábio foi a Propriá fortalecer a campanha; saiu deixando o palanque dividido, a família do prefeito em conflito e a pergunta que ninguém no Governo deseja responder: quantos outros apoiadores também estão cansados, mas ainda não criaram coragem para falar?

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