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O LED é colorido, mas a conta deixa o povo vermelho

A planilha oficial revela que não estamos falando de meia dúzia de lâmpadas compradas na loja da esquina. O projeto original previa 88 equipamentos de iluminação: quatro refletores especiais de 400W, 40 refletores RGB de 200W e 44 luminárias lineares de 90W. Somados, esses equipamentos foram orçados em R$ 915.148,84. As luminárias ficaram com pouco mais de 38% do orçamento inicial. O espetáculo principal, portanto, não estava apenas nas luzes. Estava também nos quase 29 quilômetros de cabos previstos. Se esticados em linha reta, dariam praticamente para sair de Aracaju e procurar explicação em outro município.

Os quatro refletores profissionais de 400W, com controle DMX512, proteção IP65 e abertura de cinco graus, foram orçados em R$ 22.332,35 cada, já com fornecimento e instalação. Os 40 refletores RGB de 200W ficaram em R$ 16.887,49 por unidade. Já as 44 luminárias lineares de 90W, cada uma com 3,2 metros, custaram R$ 3.416,36 por peça instalada. Só os 40 refletores coloridos somaram R$ 675.499,60. É muito RGB. Com esse valor, o sergipano não esperava apenas ver a ponte mudar de cor. Esperava que ela aprendesse a cantar, dançar quadrilha e avisar quando faltasse água.

No varejo, um refletor comum G-light de 400W aparece anunciado por valores entre aproximadamente R$ 199,90 e R$ 465,40. Evidentemente, não é o mesmo equipamento arquitetural especificado pelo DER: o modelo da ponte possui controle digital, feixe estreito, componentes profissionais, estrutura resistente ao tempo e instalação especializada. Comparar os dois como se fossem produtos idênticos seria tecnicamente errado. Mas a diferença serve como provocação: cada refletor especial de 400W previsto na planilha custou o equivalente a algo entre 48 e 111 refletores comuns de varejo. Os quatro, juntos, alcançaram R$ 89.329,40. É luz suficiente para o contribuinte procurar a nota fiscal até de óculos escuros.  

O maior personagem dessa novela, porém, talvez seja o cabo. A planilha original previa aproximadamente 29.018 metros de diferentes cabos elétricos e de comunicação, com fornecimento e instalação, ao custo total de cerca de R$ 1.028.134,30. Só os cabos de cobre de 10, 25 e 50 milímetros quadrados somaram R$ 924.170,64. Em outras palavras, antes do aditivo, o projeto já gastava mais com cabos do que com todos os refletores e luminárias juntos. Não foi instalada apenas uma iluminação. Quase se construiu uma rodovia para a eletricidade passear.

Depois disso, o contrato de R$ 2.365.000 recebeu um acréscimo de R$ 591.177,99, exatamente 24,9969%. Não foi apenas “quase 25%”. Faltaram aproximadamente R$ 72 para alcançar matematicamente os 25% do valor inicial. Foi uma aterrissagem tão precisa perto do limite legal que parece estacionamento de avião. O aditivo pode ser legal e tecnicamente necessário, mas essa coincidência exige a divulgação integral da nova planilha, dos serviços acrescentados e das justificativas. O valor final, confirmado pelo próprio DER, chegou a R$ 2.956.177,99. A ponte ficou bonita, ninguém discute. O que o Governo precisa explicar é se iluminou um cartão postal ou instalou a Via Láctea sobre o Rio Sergipe.  

A comparação com lâmpadas domésticas rende humor, mas não prova superfaturamento. A apuração tecnicamente correta deve confrontar cada item com cotações de equipamentos exatamente equivalentes, incluindo potência, abertura do feixe, proteção IP65, protocolo DMX512, marca ou similaridade técnica, garantia, impostos e instalação. O ponto forte da cobrança é outro: se o Governo possui todos esses dados, basta publicá-los. Porque R$ 2,95 milhões em iluminação cênica não podem produzir justamente aquilo que a população menos precisa: escuridão documental.

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