Lula prometeu picanha e cerveja gelada. Brasília respondeu com um cardápio tributário: cerveja de malte, 4,2%; refrigerante açucarado, 2,6%; vinho, 8%; cachaça, 20%; destilados, até 24%. O Imposto Seletivo está previsto para 2027. O governo diz que substituirá o IPI, sem aumento automático da carga. Ou seja, o eleitor pediu churrasco e ganhou palestra da Receita Federal. Viva quem fez o L!
Numa cerveja hipotética de R$ 5, os 4,2% equivalem a R$ 0,21; num refrigerante de R$ 8, os 2,6% também dão cerca de R$ 0,21. Não significa que os preços subirão exatamente isso: a conta depende da substituição de tributos e do mercado. Mas experimente explicar essa engenharia ao trabalhador que já chega ao caixa com o salário pedindo socorro. Combater consumo nocivo é legítimo; falta mostrar se a arrecadação melhorará a saúde ou só a saúde do caixa federal.
A lista alcança ainda cigarros, veículos, embarcações e apostas. A extração mineral terá alíquota zerada até o fim de 2027. Enquanto o brasileiro consulta o preço da feira com olhar de quem examina eletrocardiograma, educação e saúde enfrentaram bloqueios anunciados em maio de R$ 1,605 bilhão e R$ 1,002 bilhão, depois revistos. Não são cortes definitivos nessa dimensão, mas a instabilidade merece cobrança. Para propaganda, microfone sobra; para planejamento, falta pilha na calculadora.
Lula também deve explicar o retorno concreto de viagens e discursos: empregos, investimentos e serviços melhores. Foto em aeroporto não paga supermercado, nem pronunciamento abastece carro. Em Sergipe, o cidadão quer saber se o salário chega ao fim do mês e se as políticas públicas chegam ao bairro. O resto é aplauso de plateia contratada pela própria esperança.
E aos sergipanos fica a provocação: viva quem fez o L! A picanha segue distante de muitas mesas, a cerveja virou discussão fiscal e o contribuinte se formou em tributação sem pedir matrícula. O novo imposto pode ter justificativa sanitária e não implicar aumento imediato, mas exige transparência. Pecado não é tomar uma gelada; é prometer banquete, entregar manual de impostos e ainda esperar que o povo peça sobremesa. Faz o L!




