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Resumão da Alese – Sessão Plenária de 26/08/2025

Na política sergipana, cada sessão parece novela: tem visita institucional com direito a pose para foto, discurso inflamado de plenário e até bronca atravessada em nome do povo. Nesta terça-feira (26), o roteiro começou com um ato nobre: o presidente da Assembleia Legislativa, Jeferson Andrade (PSD), liderou comitiva de deputados ao Hospital da Criança Dr. José Machado de Souza, em Aracaju.

O encontro apresentou o novo modelo de gestão da unidade, agora nas mãos da Irmandade Boituva de Saúde e Educação, organização paulista que promete UTIs pediátricas, tomógrafo novinho e atendimento humanizado. Jeferson saiu da reunião empolgado, dizendo que o hospital pode virar exemplo para todo o sistema de saúde. Já o deputado Cristiano Cavalcante (União) vibrou como quem assiste gol do Sergipe no Batistão: “O que votamos na Assembleia está dando resultado”. A visita virou palco de elogios e esperança, enquanto a superintendente da Boituva e o diretor do Centro Cárdio venderam o peixe: mais eficiência, tempo de espera reduzido e promessa de replicar o modelo em outros hospitais.

Mas como em política nada para no primeiro ato, o dia não terminou no hospital. A cena seguinte se desenrolou na tribuna da Alese, onde deputados e deputadas subiram ao microfone para exibir bandeiras, críticas e afagos. Teve de tudo: Kitty Lima emocionada entre escolas climatizadas e defesa de animais, Áurea Ribeiro emocionada com o programa contra a fome, Manuel Marcos indignado contra Lula, Luizão Donatrampi inflamado até na hora de convidar para festa, e Linda Brasil tentando equilibrar o jogo com contraponto.

Foi a típica sessão com sabor de café forte: cada parlamentar trazendo sua pauta, entre aplausos, farpas e discursos embalados para as redes sociais. O plenário virou palco, e o povo sergipano continua plateia — assistindo, torcendo e esperando que, além das palavras, saiam ações concretas.

Kitty Lima (Cidadania), a voz da educação e dos animais – Kitty entrou em cena armada com dois escudos: educação e proteção animal. Exaltou investimentos milionários em escolas climatizadas, bibliotecas e laboratórios novinhos, além de intercâmbio internacional que vai mandar jovens sergipanos estudar fora. Parecia discurso de ministra da Educação. Mas não parou aí: puxou bronca em Porto da Folha por conta das matilhas atacando rebanhos e anunciou plano de castração. O momento mais forte veio com a denúncia do atropelamento de um protetor de animais em Itabaiana. Kitty subiu o tom e mandou recado direto: “Mexa com quem cuida de animal pra ver o que acontece!”. A deputada foi didática, emocionada e, como sempre, afiada.

Áurea Ribeiro (Republicanos), a mãe do “Sergipe Sem Fome” – Áurea transformou o plenário em palco de emoção. Chamou o programa Sergipe Sem Fome de humanizado, histórico e quase divino. Disse que colocar comida no prato é sinônimo de dignidade e não economizou aplausos ao governador Fábio Mitidieri e à primeira-dama Érica. Foi discurso de madrinha do projeto, cheio de emoção e zero espaço para críticas.

Kaká Santos (União), o eco dos elogios – Kaká entrou na onda de Áurea e repetiu o coro: parabenizou Érica Mitidieri pelo programa contra a fome e reforçou que a ação vai atingir os mais vulneráveis. De quebra, aproveitou para desejar pronta recuperação ao governador, diagnosticado com pneumonia. Foi breve, mas cumpriu o papel de ecoar os louros do Executivo.

Cristiano Cavalcante (União), o deputado estatístico – Cristiano trouxe números para o jogo: lembrou que a insegurança alimentar caiu de 30% para 5,5% em Sergipe e que o Estado ganhou prêmio nacional de inclusão socioeconômica. Colocou Mitidieri e Érica como campeões de performance social e pediu oração pela saúde do governador. Entre dados e bênçãos, foi discurso de cartilha de campanha bem-feita.

Manuel Marcos (PSD), o negro que não abaixa a cabeça – Manuel pegou pesado com Lula. Criticou a fala do presidente sobre a imagem de um homem negro desdentado em material oficial, classificando-a de desrespeitosa. Com a experiência de quem conhece a luta na pele, disse que o problema não é a cor, mas o abandono histórico. Citou sua trajetória como filho de paneleira e soldado para provar que dignidade vem de esforço e oportunidade, não de estereótipo. O plenário virou ringue.

Luizão Donatrampi (União), o aparte inflamado – Luizão não perdeu a chance: chamou a fala de Lula de racista, criticou o silêncio da esquerda e pregou união entre negros e brancos, ricos e pobres. Para fechar, ainda convidou geral para a Micarana em Itabaiana. É aquele deputado que mistura indignação política com agenda de festa.

Linda Brasil (PSOL), a  voz do contraponto – Linda pediu a palavra para relativizar a polêmica. Disse que a fala de Lula foi tirada de contexto e que, na verdade, o presidente criticava a forma como o Brasil é retratado lá fora. Lembrou que ele próprio sabe o que é exclusão e não faria discurso para ofender. Trouxe serenidade ao debate, mas manteve firme a defesa das políticas afirmativas. Foi o contraponto necessário no meio do fogo cruzado.

Luizão, Cristiano e Kaká, os guardiões da PM – O trio virou fã-clube da Polícia Militar. Luizão exaltou a festa do Dia do Soldado e ainda lembrou da Micarana; Cristiano destacou o alinhamento da tropa e a queda da criminalidade; Kaká agradeceu a tranquilidade de poder andar nas ruas. Foi quase um desfile militar em forma de discurso, com direito a medalhas verbais distribuídas a cada frase.

PromuAlese em Estância, aula contra violência de gênero – Fora da bolha dos discursos tradicionais, a Procuradoria da Mulher da Alese foi até Estância para falar de violência contra a mulher. Luana Duarte puxou a campanha Agosto Lilás em escola pública, lembrando que combate à violência começa pela educação e pelo diálogo. Foi um sopro de realidade no meio de tanto discurso parlamentar ensaiado.

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