A 72ª Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Aracaju foi marcada por discursos contundentes, críticas à gestão municipal, promessas de novas CPIs e debates sobre obras, contratos e políticas públicas. Em meio a denúncias de irregularidades, falas em defesa do Nordeste e reivindicações por melhorias em áreas essenciais como saúde e assistência social, os vereadores mostraram posições firmes e divergentes, expondo a pluralidade de vozes do Legislativo.
O clima no plenário oscilou entre cobranças duras, elogios pontuais e confrontos políticos que refletem o atual momento da capital: de um lado, a fiscalização rigorosa de contratos e serviços; do outro, a defesa de políticas sociais e de afirmações regionais. No centro de tudo, a pressão para que a Câmara cumpra seu papel constitucional de legislar e fiscalizar, diante de uma sociedade cada vez mais atenta e crítica.
Fábio Meireles, o fiscal do “recibo” – Abrindo o espetáculo, Fábio Meireles botou na tela vídeo com a secretária Elaine Oliveira, elogiou a moça e depois afinou a mira: relatórios fiscais, obras emperradas e, claro, o famoso carro blindado da prefeita Emília Corrêa.
Com a calma de quem está no controle remoto, Meireles trocou de canal e mostrou que obra que era pra custar R$ 5 milhões saiu por R$ 7,2 milhões. Dinheiro público, lembrando. No capítulo blindagem, foi direto: “Licitação é lisura, é transparência, é segurança do recurso público.” Traduzindo: gastar sem licitar é como andar de carro blindado sem freio, o tombo é certo.
Iran Barbosa, o nordestino invocado – Se Zema achou que ia falar do Nordeste impunemente, esqueceu que Iran Barbosa é vereador com microfone e megafone. Chamou o governador de Minas para o ringue com dados e mais dados, desmentindo a falácia de que o Nordeste “vive de subsídios”.
Entre números do BNDES e renúncias fiscais, Iran mostrou que quem mama mesmo na teta federal é o Sul-Sudeste. De quebra, pediu revitalização da Praça da Bandeira, lembrando que o espaço já foi palco de artistas circenses. Ou seja, até os palhaços de verdade merecem mais respeito que os palhaços políticos.

Joaquim da Janelinha, o vereador gourmet – Enquanto uns brigam por relatórios e CPIs, Joaquim da Janelinha vibrou como se tivesse marcado gol de placa: celebrou a inauguração do Restaurante Popular no Santa Maria. Segundo ele, 400 refeições por dia. Traduzindo: mais votos bem alimentados e barriga cheia. Aproveitou para elogiar Érica Mitidieri, “a revelação da gestão pública”. Janelinha, se depender de você, Sergipe vira reality show culinário: “MasterChef Popular”. Por isso que tem uns quilinhos a mais.
Ricardo Vasconcelos, o presidente com espada na mão – Encerrando o Grande Expediente, Ricardo Vasconcelos atirou contra Edvaldo Nogueira, que chamou as CPIs de “cortina de fumaça”. Ricardo devolveu no mesmo tom: “Cortina de fumaça, Edvaldo, quem sempre fez foi você.”
Prometeu mais duas CPIs e ainda soltou frase de efeito que caberia em outdoor: “Aqui não tem cabresto, não devo nada a ninguém e não coloco sujeira debaixo do tapete.” Se fosse ringue, era nocaute. Se fosse novela, era bordão de vilão.

Lúcio Flávio, o dedo-duro da UFS – No episódio paralelo, Lúcio Flávio mostrou que CPI é pouco: ele é o cara que cutucou a UFS e fez o MPF abrir inquérito. Segundo ele, a universidade virou “comitê da Juventude Petista com horas curriculares”. O MPF concordou e descreveu o evento como proselitismo político explícito. Moral da história: enquanto aluno pega certificado, Lúcio pega manchete na Veja. Não se sabe quem ganhou mais ponto nessa prova.
Sargento Byron, o xerife das multas – Presidente da CPI das Multas, Byron apareceu para dizer que tudo será feito com respeito, sem achismos, sem politicagem. Tradução: o capitão da tropa quer dar carteirada de transparência. A CPI vai analisar mais de R$ 135 milhões em multas de trânsito. Se fosse acumulado na Mega-Sena, já tinha dado pra asfaltar a cidade inteira. Byron promete calma e técnica, mas em política, meu amigo, até cálculo de radar tem viés ideológico.

Sonia Meire, a médica da política – Na ala da saúde, Sonia Meire não economizou bisturi: perguntou por que o Hospital Nestor Piva terceiriza até esterilização no Fernando Franco, enquanto contratos milionários correm soltos. Fez diagnóstico rápido: sucateamento, falta de sabão, ar-condicionado pifado. Pergunta dela ecoa como receita médica: “Será que esse sucateamento é pra justificar OS?” Sonia saiu da tribuna deixando a impressão de que, se saúde é prioridade, Aracaju tá precisando urgente de UTI política.




