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Resumão da Câmara: de arquibancada a feira agroecológica

Se alguém entrou na Câmara de Aracaju nesta quinta esperando debate técnico, saiu achando que estava num mix de estádio de futebol, assembleia de condomínio e reality show gastronômico. Vereador virou narrador esportivo, outro encarnou encanador, teve quem puxasse discurso agroecológico e quem fizesse conta como se fosse auditor da Receita. No meio disso tudo, muito aplauso, cutucada em ex-prefeito e até promessa de CPI.

Foi sessão para todos os gostos: teve ponte bilionária, transplante tratado como gol de placa, ladrão ninja de escada, feira da reforma agrária e vereador que prefere replay de gol perdido a propostas concretas. Um verdadeiro mosaico da política aracajuana, com direito a ironia, emoção e aquela pitada de “seria cômico, se não fosse trágico”.

Thannata da Equoterapia: de ponte bilionária a cavalo terapêutico – A vereadora Thannata da Equoterapia (Mobiliza) entrou na tribuna como quem anuncia final de Copa do Mundo: edital lançado para a nova ponte Aracaju/Barra, orçada em mais de R$ 1 bilhão. Garantiu que vai salvar o trânsito dos horários de pico (aguardemos o milagre). Não satisfeita, emendou com a inauguração da Casa do Autista, prometendo mais de duas mil crianças atendidas com terapias que vão da fonoaudiologia à natação. Foi do asfalto à piscina num discurso só. Ah, e ainda sobrou tempo pra cutucar o INSS sobre os atrasos nas perícias. Multitarefas, sim.

Anderson de Tuca e a bancada da arquibancada – O vereador Anderson de Tuca (União Brasil) fez discurso em tom de narrador: Confiança chegou à final da Copa do Nordeste, perdeu, mas ganhou palmas e movimentou a economia. Virou case de sucesso na tribuna. Em coro, Isac Silveira, Joaquim da Janelinha, Levi Oliveira e Maurício Maravilha também entraram no replay dos elogios, como torcida organizada. Levi, empolgado, ainda comemorou transplantes renais e de fígado pelo SUS em Sergipe, como se fosse gol de placa da saúde. Já Maurício encerrou com moção de aplausos à lutadora Eduarda Moura, estrela no UFC. Na Câmara, o octógono virou plenário.

Bigode do Santa Maria: o encanador legislativo – Na Zona de Expansão, água é vida… e vazamento também. Bigode do Santa Maria (PSD) pediu socorro à Iguá Saneamento: consertem os canos antes que o povo afunde. Moradores reclamam até do aumento nas contas, e Bigode fez o apelo com ares de “meu nome é Encanador, vereador”.

Breno Garibalde: o advogado da população esquecida – Breno voltou ao tema da regularização da Zona de Expansão, que já dura mais de 70 anos. Disse que a população é sempre figurante, nunca protagonista. Cutucou Edvaldo Nogueira pelo não pagamento das emendas de 2023 e 2024 e, de quebra, defendeu que a disputa entre Aracaju e São Cristóvão não pode virar palanque político. Na sua versão, o povo precisa de CEP, não de promessa.

Elber Batalha: o bombeiro do palanque – Elber pediu para que os atores da disputa territorial entre Aracaju e São Cristóvão desçam do palanque. Tradução: parem de usar fronteira como arma eleitoral. Ele também engrossou o coro pelo fim da fila do INSS, onde perícia só em 2026. No embalo, pediu investigação sobre o ex-prefeito Edvaldo Nogueira após relatório da Controladoria. Fogo no parquinho.

Byron, o xerife das emendas – Sargento Byron (MDB) vestiu a farda e mirou no caso das emendas impositivas anuladas em 2024. Chamou de “crueldade” o corte que tirou recursos da saúde. Apontou dedo para hospitais que ficaram a ver navios, como o Cirurgia e o Santa Isabel. E já alinhou com Isac Silveira para acionar a Procuradoria. O enredo? Suspeita de pedalada na aplicação do dinheiro. Se depender dele, tem CPI de prontidão.

Vinícius Porto: narrador de arquibancada, não vereador – Até agora, Vinícius Porto não entregou nada de essencial para os aracajuanos. No plenário, prefere narrar jogo do Confiança, contar história de ladrão com escada e aplaudir obras de infraestrutura que não têm sua assinatura. O problema é que Aracaju não precisa de comentarista esportivo nem de cronista de policial criativo, precisa de vereador com propostas reais. Muito discurso de arquibancada, pouca ação concreta.

Camilo Daniel: feira, agro e veneno zero – Camilo encerrou o dia puxando o coro agroecológico. Convidou todo mundo pra feira da reforma agrária, com direito a comida de verdade, sem ultraprocessados. No seu script, refrigerante é vilão e feijão sem veneno é herói. O plenário virou quase episódio de “MasterChef do MST”.

Fábio Meireles: o auditor legislativo – Na audiência com a Fazenda, Fábio Meireles (PDT) virou calculadora humana: cobrou explicações sobre despesas que saltaram de R$ 645 milhões para R$ 1,1 bilhão em meses. Perguntou se foi reajuste, contratação ou mágica de ilusionista. O secretário respondeu que a herança maldita das dívidas foi o grande peso. Mas a conta não fecha e Meireles já deixou claro que vai cobrar na próxima rodada.

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