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Socorro pede socorro: um coronel entre um padre e um pastor e milhões sob investigação!

A Operação Dirus sacudiu Nossa Senhora do Socorro. PF, CGU e MPF investigam suspeitas de irregularidades na saúde municipal entre 2020 e 2026, com 32 mandados e medidas patrimoniais de até R$ 15,6 milhões. No centro das cobranças estão a gestão do ex-prefeito Padre Inaldo e a do atual prefeito Samuel Carvalho. Em terra de tanta referência religiosa, a população espera uma revelação bem terrena: contratos, notas fiscais e o destino do dinheiro público.

Padre Inaldo precisa explicar o contrato de R$ 10,44 milhões firmado em 2020 com o Instituto Técnico de Gestão Moderna: seis parcelas previstas de R$ 1,74 milhão para estruturar e administrar um hospital com 48 leitos clínicos e dois de UTI. Segundo os documentos reunidos por Coronel Pontual, a unidade funcionou menos de três meses. Quanto foi pago, por quais serviços e com que fiscalização? A pandemia exigia pressa, não um passe livre para deixar a contabilidade em quarentena.

O Coronel Pontual merece reconhecimento pela persistência. Ainda em 2024, questionava publicamente o hospital; em julho de 2025, cobrou da prefeitura documentos sobre pessoal, pacientes, equipamentos e pagamentos; em novembro, levou suas suspeitas ao MPF. As denúncias não são prova de crime, mas as perguntas continuam atuais. Enquanto muita gente disputava o microfone, Pontual queria conferir as notas.

Samuel Carvalho não assinou o contrato de 2020, e isso precisa ficar claro. Mas sua gestão deve disponibilizar os documentos herdados, explicar se houve pagamentos posteriores e prestar contas dos contratos de saúde executados durante seu mandato, também abrangido pela investigação. Pontual afirmou não ter recebido resposta à solicitação formal. Cabe à prefeitura esclarecer o pedido. Arquivo público não é segredo de confessionário, nem transparência depende de bênção eleitoral.

A denúncia menciona cerca de 300 atendimentos, 184 internações, 28 transferências e seis mortes, números ainda sujeitos a confirmação oficial. Socorro é feita de famílias que precisam de médicos, leitos e remédios, não de uma romaria atrás de explicações. Se houver desvio ou superfaturamento comprovado, a perda não estará só nas planilhas: estará no atendimento que poderia ter chegado a quem precisava.

Socorro está pedindo socorro. Padre Inaldo deve explicar a contratação; Samuel, a guarda dos documentos e os atos de sua administração. À PF e ao MPF cabe individualizar responsabilidades com provas, não com insinuações. Pontual cobrou respostas antes da operação. Agora, o povo também cobra. Afinal, a população já pagou pela saúde. Falta saber, com precisão, o que recebeu.

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