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Valmir invade Socorro e o palanque começa a balançar

Socorro deixou de ser apenas uma cidade da Grande Aracaju para virar uma espécie de reality show político em tempo integral, daqueles onde ninguém dorme tranquilo e todo mundo acorda olhando grupo de WhatsApp antes mesmo do café. Bastou Charlys de Gel e Panzuá abrirem publicamente as portas para Valmir de Francisquinho que o tabuleiro começou a tremer igual caixa de som de carro em porta de bar. E Samuel Carvalho descobriu, talvez tarde demais, que prefeitura não se administra apenas com vídeo bonito, reunião fechada e marketing de rede social. Política raiz ainda se faz na rua, no aperto de mão, na feira, no “bora conversar ali rapidinho” e principalmente no ouvido do povo.

E aí entra Valmir. Gostem ou não, o Pato entendeu uma coisa que muita gente engravatada ainda não compreendeu em Sergipe: eleição não se ganha apenas em gabinete refrigerado. Se ganha ocupando território emocional. O homem desce a serra, entra em bairro, conversa com camelô, escuta dono de mercadinho, fala com evangélico, católico, mototaxista e carne na feira sem precisar de teleprompter. Enquanto muitos políticos parecem personagens fabricados por agência de publicidade, Valmir continua carregando aquela imagem de político popular que o eleitor reconhece de longe. E Panzuá e Charlys de Gel percebeu isso cedo. Eles sabem que oposição que quer sobreviver precisa ter lado, voz e coragem. Não adianta ficar fazendo política de Instagram enquanto a cidade inteira reclama no grupo da família.

Samuel, por outro lado, começa a transmitir aquela sensação clássica de gestor cercado por excesso de cálculo político e falta de definição clara. Quer agradar todo mundo, conversar com todos os grupos, manter todas as portas abertas e termina produzindo uma gestão que muitas vezes parece andar pisando em ovos dentro da própria base. Em política, excesso de equilíbrio às vezes vira paralisia. E Socorro não é cidade que respeita político indeciso. O eleitor socorrense gosta de liderança que bata no peito, assuma posição e aguente a pancada. Quando percebe hesitação, o povo começa a procurar outro dono da narrativa.

E o episódio envolvendo Fábio Henrique só aumentou essa sensação de desconforto nos bastidores. Porque em Sergipe existe uma palavra que ainda pesa muito: lealdade. André Moura construiu sua trajetória justamente nesse modelo de reciprocidade política, daquele sujeito que pode até ser duro, mas costuma deixar claro quem está com ele e quem resolveu atravessar a avenida sozinho. Quando Fábio muda de partido sem um alinhamento mais sólido com André e pouco depois aparece sorridente no ambiente político de Alessandro Vieira, o recado que ficou para muita gente foi de ambiguidade. E político experiente detesta ambiguidade. André pode até não transformar tudo em guerra pública, mas também não é homem de esquecer movimentos que pareçam descompasso político. Em Sergipe, traição política não faz barulho na hora. Ela faz efeito lá na frente, silenciosamente, igual infiltração em parede antiga.

Enquanto isso, Padre Inaldo observa tudo com aquele jeito de quem parece tranquilo mas está calculando cada movimento no detalhe. Padre conhece Socorro como poucos e sabe perfeitamente que fortalecer Samuel hoje pode significar entregar amanhã uma estrutura inteira pronta para um adversário crescer. E política sergipana tem uma coisa maravilhosa: ninguém conversa oficialmente, mas todo mundo conversa extraoficialmente. Tem conversa no corredor, no cafezinho, na missa, no almoço, no estacionamento e até na saída da farmácia. Quando começam os cochichos entre aliados de Valmir, gente próxima de Padre Inaldo e vereadores independentes, é porque já tem muita liderança fazendo conta eleitoral antes mesmo da campanha começar oficialmente.

E no meio desse forró antecipado surge a constatação mais divertida de todas: Socorro virou a Bolsa de Valores da política sergipana. Cada apoio novo sobe ação, derruba humor, cria ciúme político e movimenta o mercado eleitoral igual pregão nervoso em dia de crise. Carminha entra como peça pesada, Clécia aparece nas conversas, lideranças femininas começam a ganhar força e o eleitor acompanha. No fim das contas, Samuel descobre que administrar Socorro talvez seja mais difícil do que imaginava. Porque uma coisa é governar a cidade. Outra completamente diferente é tentar controlar o ego, os interesses e os movimentos de uma classe política que já entrou oficialmente em modo sobrevivência eleitoral.

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