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Vasco voltou a dar orgulho

O Vasco empatou em 2 a 2 com o Paysandu em São Januário, mas garantiu classificação para as oitavas da Copa do Brasil com 4 a 2 no placar agregado. E convenhamos, o Vasco conseguiu fazer exatamente aquilo que o torcedor conhece bem: transformar uma noite tranquila em teste cardíaco coletivo. O time abriu 2 a 0 com gols de Rojas, de pênalti, e Thiago Mendes, ambos em jogadas brilhantes do colombiano Marino Hinestroza, que jogou mais bola que muito político em época de eleição joga promessa. Mas depois relaxou, levou dois gols e quase fez o vascaíno voltar a procurar remédio de pressão na gaveta.

Mesmo assim, em Sergipe o clima é de esperança cruzmaltina. O advogado Antônio Corrêa Matos voltou a usar camisa do Vasco sem medo de piada no café da manhã. Aurélio Belém do Espírito Santo já comenta o time com brilho nos olhos, Luiz Lobo da Facilita reapareceu sorrindo em dia de jogo e o dentista Carlos Alexander voltou a falar em Libertadores sem ninguém pedir exame psicológico. Felipe Melo também entrou na onda. Depois de anos descendo e subindo entre Série A e Série B como elevador emocional desgovernado, o Vasco começa finalmente a mostrar estabilidade.

Renato Gaúcho resumiu tudo perfeitamente ao dizer que o grupo gosta de sofrer junto com a torcida. E gosta mesmo. O Vasco dominou boa parte da partida, criou chances, pressionou e parecia caminhar para uma classificação tranquila. Só que bastou diminuir a concentração para o Paysandu voltar para o jogo. O treinador ficou irritado porque precisou gastar jogadores que queria poupar, justamente porque o time resolveu transformar um jogo controlado em episódio especial de suspense psicológico em São Januário.

Mas a verdade é que o Vasco mudou de postura em 2026. Hoje aparece mais competitivo, mais organizado e muito mais respeitado no Campeonato Brasileiro, onde já ocupa a oitava posição com 20 pontos e sonha encostar no G4. E o vascaíno sergipano percebe isso rápido. Depois de anos escondendo a camisa no fundo do guarda roupa para evitar sofrimento em público, a torcida voltou a andar orgulhosa pelas ruas de Aracaju. Porque o Vasco ainda sofre, claro. Sofrer é quase patrimônio histórico do clube. Mas agora, pelo menos, sofre vencendo alguma coisa no caminho.

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