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Fábio Mitidieri e os quinze dias em que Sergipe viu o governo acelerar

Os últimos quinze dias do governador Fábio Mitidieri tiveram um ritmo que faria qualquer mestre de obras pedir um cafezinho para acompanhar. Escola entregue, creche inaugurada, hospital ampliado, delegacia nova, adutora funcionando, estação de tratamento de água, recuperação de rodovias, anúncios de concursos públicos, convocação de aprovados e a promessa de novos chamamentos, inclusive para a Polícia Militar e outras áreas estratégicas do Estado. Foi uma verdadeira maratona administrativa. A sensação era de que o Governo havia encontrado um botão chamado “modo turbo” justamente na reta final antes das limitações impostas pelo calendário eleitoral.

E talvez resida aí o maior elogio, acompanhado da maior provocação. Porque ninguém critica um governo por entregar obras, convocar servidores ou investir em infraestrutura. Muito pelo contrário. O que desperta curiosidade é imaginar onde estaria Sergipe se esse mesmo compasso tivesse sido adotado desde o primeiro dia da gestão. Afinal, governar não é uma corrida de cem metros; é uma maratona. Quando o sprint acontece apenas nos quilômetros finais, a plateia naturalmente se pergunta como teria sido a prova inteira se esse fôlego tivesse aparecido antes.

O simbolismo deste 4 de julho também é curioso. Enquanto os Estados Unidos comemoram sua Independência, o calendário eleitoral brasileiro passa a impor uma espécie de “independência da máquina pública” em relação à disputa política. A partir de hoje, a Lei nº 9.504/1997 estabelece uma série de condutas vedadas aos agentes públicos para preservar o equilíbrio da eleição. Entre elas, estão restrições à publicidade institucional, às nomeações e convocações de servidores em determinadas hipóteses previstas no art. 73 e, para quem for candidato, a vedação de comparecimento a inaugurações de obras públicas durante os três meses que antecedem o pleito, conforme o art. 77. A intenção da lei é simples: garantir que a administração continue funcionando, mas sem que a estrutura estatal se transforme em vantagem eleitoral.

No fim das contas, fica um reconhecimento e uma reflexão. Reconhecimento porque entregar obras, fortalecer os serviços públicos e chamar concursados é exatamente o que a população espera de qualquer governante. E reflexão porque esses quinze dias mostraram que o Estado tem capacidade de acelerar quando existe prioridade política. Se esse mesmo ritmo tivesse acompanhado os últimos três anos e meio de governo, talvez hoje o debate não fosse sobre a intensidade das últimas semanas, mas sobre a constância de uma gestão que teria feito dos últimos quinze dias apenas mais uma quinzena comum de trabalho.

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