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24 horas: Um conquista apoio. O outro, fotografia.

Nas últimas 24 horas, Valmir de Francisquinho fez aquilo que candidato competitivo precisa fazer: ganhou gente. A adesão do prefeito de Simão Dias, Cristiano Viana, produziu o fato político do dia e colocou o governo na defensiva. Valmir apareceu como ponto de encontro dos insatisfeitos, dos esquecidos e dos que descobriram que a amizade do Palácio costuma durar exatamente o tempo de uma fotografia oficial. Enquanto isso, Fábio Mitidieri manteve sua especialidade: governar a agenda pela embalagem, pelo release e pelo sorriso cuidadosamente treinado para a câmera.

Valmir aproveitou o apoio para reforçar sua narrativa de enfrentamento. Falou em ameaças, intimidações e controle político. Pode até exagerar no tempero, mas encontrou o prato que está sendo servido no interior. Prefeito não muda de lado porque acordou romântico. Muda porque avaliou poder, presença e perspectiva. Cristiano saiu da base governista reclamando da diminuição de investimentos em Simão Dias. Fábio não respondeu. Talvez estivesse procurando a obra na planilha. O problema é que planilha não tapa buraco, não abraça aliado e não impede rompimento.

O governador continua tentando transformar pesquisa em colete à prova de realidade. Quando o número é favorável, a pesquisa vira ciência. Quando Valmir aparece na frente, vira metodologia suspeita, instituto desconhecido e talvez até fenômeno climático. Fábio também exibe balanços oficiais afirmando ter cumprido quase todas as promessas. É o governo examinando o próprio dever de casa, corrigindo a própria prova e entregando a si mesmo um certificado de aluno exemplar. Falta apenas organizar uma solenidade para agradecer ao governador pela avaliação realizada pelo próprio governo.

Valmir, por outro lado, segue fazendo política na rua. Conversa com comerciante, liderança municipal, trabalhador e eleitor. Fábio prefere conversar com o enquadramento. Até o outdoor associado à sua imagem precisou receber uma orientação da Justiça Eleitoral para diminuir o entusiasmo. A máquina pública é poderosa, mas também produz uma ilusão perigosa. Governador cercado de secretários, prefeitos e assessores pode imaginar que todo aplauso é espontâneo. Às vezes, é apenas gente esperando a foto terminar para voltar ao trabalho.

O resultado das últimas 24 horas é simples. Valmir conquistou um aliado e ganhou a manchete. Fábio perdeu um prefeito e ganhou o silêncio. Um tenta transformar insatisfação em mudança. O outro tenta transformar estrutura em sentimento popular. Valmir ainda precisa detalhar propostas e provar acusações, mas demonstrou movimento. Fábio tem governo, dinheiro, propaganda e pesquisa. Mesmo assim, passou o dia assistindo ao adversário levar uma peça do seu tabuleiro. Na política, quem perde gente e responde com silêncio não demonstra serenidade. Às vezes, demonstra apenas que sentiu o golpe.

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