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24H horas: Seis candidatos, duas manchetes e quatro tentando entrar na fotografia

As últimas 24 horas da eleição sergipana pareceram aquelas festas em que seis pessoas estão no convite, mas só duas conseguem chegar perto do fotógrafo. Fábio Mitidieri continua governando em horário eleitoral, Valmir de Francisquinho continua fazendo campanha em horário jurídico e os outros quatro tentam descobrir por onde se entra na manchete. Ricardo Marques, Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina estão oficialmente na disputa, mas a conversa pública ainda parece uma mesa reservada para Fábio e Valmir. Um tem a máquina, o outro tem o enredo. Os demais têm esperança, santinho e espaço de sobra no enquadramento, justamente porque quase ninguém está apontando a câmera para eles.

Fábio fez o que governador em campanha sabe fazer com excelência olímpica: anunciou, nomeou, entregou, visitou e fotografou. A Universidade Estadual ganhou reitor, projeto e discurso de futuro; a Adutora do Leite voltou ao cardápio de obras. É a vantagem de quem governa: enquanto o adversário precisa produzir um fato político, o Palácio pode produzir uma solenidade para anunciar a próxima solenidade. O problema de Fábio continua sendo o intervalo entre uma inauguração e outra, justamente aquele momento perigoso em que aparece um microfone. Depois do episódio do “marchante” e das críticas ao seu tom, ficou uma lição simples: obra pública pode receber reparo, frase infeliz não. Ainda não inventaram tapa-buraco para declaração política.

Valmir vive o extremo oposto. Não tem secretaria para entregar obra, universidade para nomear reitor nem faixa para cortar, mas continua no centro do noticiário porque sua candidatura virou uma espécie de Netflix jurídico-eleitoral: todo dia parece sair episódio novo. Até aqui, não apareceu nessas 24 horas fato que significasse sua retirada da corrida, e seus aliados seguem reforçando que ele permanece candidato. O curioso é que quanto mais os adversários tentam discutir Valmir pela via jurídica, mais ajudam a manter Valmir politicamente vivo. Só existe um risco: virar o candidato cuja principal proposta é provar que continua candidato. Resistência rende manchete, mas, em algum momento, o eleitor vai querer saber o que vem depois dos advogados.

Ricardo Marques enfrenta uma situação ainda mais engraçada porque seu maior problema não veio do adversário. Veio de casa. Ele precisa convencer o eleitor de que o candidato a governador do PL é importante para o próprio PL. Depois de declarações internas priorizando Senado e Câmara, Ricardo ficou na condição incômoda de funcionário que chega ao trabalho e descobre que a empresa mudou de ramo sem avisá-lo. Continua candidato, reafirma disposição e tenta se ligar à agenda nacional da legenda, mas toda vez que precisa dizer “estou firme”, nasce espontaneamente a pergunta: quem foi que começou a achar que ele estava frouxo? Candidato ao Governo já tem trabalho demais sem precisar disputar protagonismo com a própria sigla.

Emanuel Cacho também precisou apresentar seu atestado de vida eleitoral. Foi à entrevista dizer que não desistiu, o que, convenhamos, não é exatamente a manchete que um candidato sonha em produzir. Fábio fala de universidade, Valmir fala de sobrevivência política e Emanuel precisa aparecer dizendo: “calma, eu ainda estou aqui”. Helton Monteiro, por sua vez, possui uma biografia na saúde que poderia lhe garantir discurso próprio, mas continua com dificuldade para transformar autoridade profissional em barulho eleitoral. E Taty Cristina, única mulher entre os seis nomes, ainda tenta transformar novidade em presença. Hoje, os quatro vivem fases diferentes da mesma doença: Ricardo quer provar importância, Emanuel quer provar existência, Helton quer provar visibilidade e Taty ainda quer ser apresentada ao público antes que a eleição termine.

O placar das 24 horas, portanto, é cruelmente divertido: Fábio teve agenda, Valmir teve roteiro, Ricardo teve justificativa, Emanuel teve desmentido, Helton teve silêncio e Taty teve apresentação. A polarização continua sugando o oxigênio e deixando os demais respirando pela janela. Mas ninguém está confortável. Fábio corre o risco de acreditar que máquina administrativa vem com voto no manual de instruções. Valmir pode ficar refém da própria batalha jurídica. Ricardo precisa impedir que o PL vire seu principal adversário. Emanuel precisa parar de explicar que continua vivo. Helton e Taty precisam fazer o eleitor perceber que também estão na urna. A campanha entrou naquela fase maravilhosa em que todo candidato está “crescendo”, toda reunião foi “histórica” e todo apoio é “decisivo”. A única instituição que ainda não deu entrevista, não postou selfie e não prometeu nada foi a urna. E justamente ela será a única que terá a palavra final.

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