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Cristiano plantou propaganda e colheu vergonha

Cristiano Cavalcante declarou que Ilha das Flores é o coração da produção de arroz de Sergipe. Bonito discurso. O problema é que esse coração recebeu uma colheitadeira cercada de festa, fotografias e promessas, mas teria perdido a máquina por falta de pagamento. Na chegada, havia político disputando espaço diante das câmeras. Na cobrança, apareceu uma plantação inteira de silêncio.

A colheitadeira foi apresentada como símbolo de desenvolvimento para a Cooperflores e esperança para os produtores. Cristiano subiu no palanque, associou sua imagem à conquista e participou da celebração. Agora, quando a máquina teria sido tomada ou devolvida por inadimplência, o deputado precisa explicar qual foi sua participação nessa história. Quem posa como pai da vitória não pode virar desconhecido no velório da promessa.

Não há documento público provando que Cristiano assinou o contrato ou era responsável pelo pagamento. Mas sua responsabilidade política está fotografada. Ele ajudou a vender o sonho aos plantadores de arroz. Se a máquina realmente foi embora, o que ficou para os agricultores foi o gosto amargo de terem servido de cenário para propaganda eleitoral. O arroz era verdadeiro. A colheitadeira, pelo visto, estava apenas de visita.

O caso resume uma política que inaugura antes de pagar, comemora antes de conferir e promete antes de garantir. A máquina destinada a colher arroz terminou colhendo constrangimento. Faltam contrato, valores, parcelas, comprovantes e explicações. Sobraram fotografias, discursos e um boleto capaz de desmontar o palanque inteiro.

A 21 dias da eleição, o eleitor deve perguntar se Cristiano representa os produtores ou apenas aparece quando o trabalho deles rende fotografia. Ilha das Flores não precisava de uma colheitadeira cenográfica. Precisava de um equipamento permanente, pago e funcionando. Cristiano ajudou a transformar a chegada em espetáculo. Agora tem o dever de explicar por que o sonho dos arrozeiros terminou rebocado pela falta de pagamento.

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