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24HORAS: A volta de Valmir promete buzinar no ouvido dos adversários

Nas últimas 24 horas, a eleição para o Governo de Sergipe ganhou o ritmo de uma corrida em que Fábio Mitidieri largou cercado pela estrutura governista, Ricardo Marques apareceu com uma pasta contendo 22 propostas e os candidatos menores ainda procuravam no mapa onde ficava a concentração. Fábio administrou a repercussão de sua carreata na Zona Norte de Aracaju e voltou a exibir pontes, viadutos, hospitais e escolas como quem apresenta apartamento decorado: luz bonita na sala, almofada combinando com a cortina e nenhuma visita autorizada a abrir o quarto onde estão guardadas a falta de água, a greve dos professores e as filas da saúde. A campanha governista tem máquina, cenário e fotografia. O único desafio é esconder as goteiras sem deixar o balde aparecer no vídeo.

Mas o grande assunto da eleição não estava nas obras apresentadas por Fábio nem nas propostas organizadas por Ricardo. Estava em São Paulo, recuperando a saúde e preparando o retorno. Valmir de Francisquinho conseguiu uma proeza política rara: mesmo afastado das ruas, continuou ocupando o centro da campanha. Enquanto alguns candidatos atravessam municípios, apertam mãos, comem três buchadas e ainda precisam explicar quem são, Valmir permaneceu ausente fisicamente, mas presente na solidariedade, na conversa das feiras e na expectativa dos aliados. Segundo informações que circulam em seu grupo político, a chegada está sendo preparada para quarta feira, às 18 horas, com uma grande carreata. Há quem aposte que será a maior já realizada em Sergipe. Carreata, evidentemente, só se mede depois que o último carro passa, porque grupo de WhatsApp também produz congestionamento, só que de entusiasmo.

Ricardo Marques apresentou 22 propostas e mostrou disposição para colocar conteúdo numa disputa que, até agora, lhe oferece mais páginas de programa do que pontos nas pesquisas. Falou de água, emprego, saúde e desenvolvimento, temas fundamentais, embora vinte e duas propostas também possam virar vinte e duas gavetas se nenhuma alcançar o coração do eleitor. Dr. Helton Monteiro manteve a defesa da reestatização da Deso e segue firme, coerente e falando para uma plateia que ainda caberia confortavelmente numa sala de espera. Emanuel Cacho demonstrou preparo, experiência e discurso técnico, mas sua campanha conserva o entusiasmo de uma audiência adiada. Taty Cristina apareceu na programação do Sindifisco e continua naquele estágio delicado em que a candidatura consta da relação, mas ainda não entrou de verdade na conversa do povo.

No balanço do dia, Fábio teve vitrine, Ricardo teve propostas, Helton teve posição, Emanuel teve currículo e Taty teve horário marcado. Valmir teve aquilo que nenhuma agência de publicidade consegue encomendar com nota fiscal: expectativa popular. Se a mobilização prometida para quarta feira se confirmar, sua volta poderá transformar as rodovias sergipanas num rio de carros, buzinas, bandeiras e emoção. Valmir não retornará apenas de um procedimento médico. Poderá desembarcar diretamente no coração da campanha, cercado pelo carinho de quem aguardou sua recuperação e pela energia de uma militância que passou dias acumulando saudade e combustível. Aos adversários restará acelerar o passo, revisar o discurso e conferir se ainda existe vaga no acostamento.

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