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Saúde no centro da pauta: Jeferson Andrade e a política que cuida de quem faz a Casa funcionar

Nem sempre a boa política precisa ser épica. Às vezes, ela precisa ser apenas funcional. E foi isso que aconteceu na última sexta-feira (30), quando a Assembleia Legislativa de Sergipe formalizou um convênio com a GEAP Autogestão em Saúde, permitindo o acesso de servidores e seus familiares a um novo plano de saúde.

Nada revolucionário. Nada mirabolante. Mas um gesto que diz muito sobre prioridades. O convênio, assinado sob a coordenação da Presidência da Casa, envolve servidores efetivos, comissionados, aposentados, pensionistas, requisitados e seus familiares até o quarto grau. Uma medida prática que, em essência, busca corrigir um problema comum ao funcionalismo público: a precariedade ou a inexistência de assistência médica adequada — algo que deveria ser premissa básica de qualquer órgão público, mas que, sabemos, nem sempre é.

No caso da Alese, a mudança ocorre após queixas recorrentes sobre o antigo plano, que era visto por muitos servidores como insuficiente e pouco eficaz. Essa substituição, portanto, é mais uma correção de rota do que um avanço estrutural. O novo plano, fornecido pela GEAP — operadora tradicional com 80 anos de história, oferece diferentes modelos de cobertura, incluindo planos regionais, nacionais, com opção por enfermaria ou apartamento, todos com plano odontológico incluso. Quem aderir nos primeiros 30 dias terá isenção de carência. Uma vantagem relevante para quem precisa de atendimento imediato.

A assinatura contou com a presença de representantes da operadora, do sindicato da categoria, da diretoria da Alese e da equipe técnica responsável pela negociação. O processo, segundo os envolvidos, levou cerca de três meses de tratativas para chegar a uma tabela de valores viável para os servidores.

Dito isso, é importante olhar com um pouco mais de distanciamento o que de fato está acontecendo aqui. Não se trata de inovação. Trata-se de manutenção. De garantir o que já deveria ser garantido.

O Brasil tem uma tradição de negligenciar a saúde do funcionalismo, especialmente nas esferas estaduais e municipais. Muitas vezes, o servidor público — que move a máquina administrativa — é deixado à própria sorte em relação a um dos bens mais elementares da existência: o acesso à saúde. A lógica de “quem pode, paga; quem não pode, aguenta” ainda impera em muitas repartições.

Nesse contexto, o convênio assinado pela Alese é um ajuste necessário, mas que não pode ser vendido como um grande feito. É um passo para fora do improviso, uma tentativa de institucionalizar o cuidado com quem, dia após dia, garante que as engrenagens do Legislativo sigam girando. O problema é que esse tipo de medida, quando aparece, costuma vir cercado de pompa, como se o mínimo fosse máximo. Não é.

Aos olhos da população, a imagem que frequentemente se forma do serviço público é a de um setor privilegiado. Mas essa visão raramente corresponde à realidade de servidores que enfrentam defasagem salarial, sobrecarga, ausência de reajustes e políticas de valorização que só aparecem no discurso. Nesse sentido, criar condições dignas de saúde é uma maneira de devolver alguma humanidade à relação entre Estado e servidor.

Mas essa política precisa ser contínua, monitorada e ampliada. Não basta assinar convênio, fazer coletiva, distribuir releases e deixar o problema se repetir daqui a dois anos. Plano de saúde precisa ser bom, acessível e sustentável. Precisa caber no bolso do servidor e funcionar na prática. O resto é publicidade institucional.

Um segundo ponto é a necessidade de se discutir de forma mais ampla o modelo de assistência à saúde dos servidores do Estado de Sergipe como um todo. A Alese está fazendo sua parte, ao menos neste recorte, mas e os demais órgãos? O que acontece com o servidor público fora da bolha do poder Legislativo? A resposta, infelizmente, não é muito animadora.

Por fim, há um aspecto técnico que merece atenção: o auxílio-saúde. Segundo o presidente da Alese, há um estudo em andamento para evitar que o servidor arque sozinho com os custos do novo plano. Isso é fundamental. Num momento em que o custo de vida pressiona todos os orçamentos, não adianta oferecer um plano se o servidor tem que escolher entre pagar a mensalidade ou fazer feira.

Portanto, o que aconteceu na sexta-feira na Assembleia Legislativa é importante, mas não é extraordinário. É o tipo de ação que deveria ser prática comum em todos os poderes públicos. Valorizar o servidor não deve ser tratado como bônus, mas como dever mínimo do Estado. E isso inclui garantir saúde, sim, mas também estabilidade, formação, perspectiva de crescimento e respeito institucional. Política pública boa é aquela que entrega o básico de forma sólida. E isso inclui reconhecer que o servidor público é, antes de tudo, gente.

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