Às vezes, tudo o que a gente precisa é sentar de frente para a janela e deixar que o mundo aconteça sem a nossa interferência.
Hoje, me sentei assim: sem pressa, sem roteiro, apenas com o coração aberto como quem espera por uma visita antiga. Lá fora, o vento brincava com as árvores, as nuvens se desenhavam e desmanchavam no céu como se a vida fosse só isso: inventar e reinventar formas.
De onde estou, percebo que a vida lá fora é cheia de ritmos que a gente esquece de ouvir. Um pássaro pousa num galho frágil, sem medo da queda. Um idoso atravessa a rua, passos lentos, mas carregando uma dignidade que o tempo não rouba. Uma criança corre sem destino, rindo de um motivo que só ela entende.
E eu aqui, tentando aprender.
Aprender que nem tudo precisa ser perfeito para ser bonito. Que a pressa é inimiga das descobertas. Que o tempo, quando respeitado, costura feridas invisíveis.
Sentado de frente para a janela, entendo que há dias de grandes voos e dias de apenas respirar. E tudo bem. Nem todo dia precisa ser sobre vencer o mundo; alguns dias são apenas sobre não se perder de si mesmo.
Olhando para fora, percebo que, na verdade, essa janela é um espelho. Cada movimento lá fora reflete um pedaço do que sinto aqui dentro. O medo, a coragem, a esperança — todos dançam juntos, mesmo nos dias em que pareço imóvel.
A vida segue, independente das dores que carregamos ou dos sonhos que adiamos. Ela segue. E, talvez, o maior ato de coragem seja justamente esse: continuar sentado, olhando, sentindo — sem desistir de esperar pela próxima manhã.
Porque, enquanto houver um pedaço de céu do lado de fora e um pedaço de fé do lado de dentro, ainda há tudo.
Thiago Santos





Respostas de 2
Esse veio na lata, direto. Sentir cada palavra. Parabéns, Thiago
***Senti