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A “Missão Impossível” do Missão

O Partido Missão chega à eleição federal de Sergipe com oito candidatos, pouca estrutura e uma tarefa eleitoral gigantesca. À frente está Davi Valença, presidente estadual da legenda, influenciador político e principal voz do grupo. Em 2024, ele recebeu 602 votos para vereador de Aracaju. Pode parecer pouco diante da matemática de uma eleição federal, mas cada um desses votos representa uma pessoa que acreditou em sua mensagem. Davi escolheu um caminho difícil, corajoso e pouco confortável: construir um partido praticamente do zero, sem mandato, sem máquina pública e sem os padrinhos que normalmente distribuem santinho, combustível e promessa.

A chapa reúne Deysy Lima, Engenheiro Isaac, Jonmhara Ricardo, João Marcelo, Rodrigo Santos, Kel Guimarães e Luiz Fernando. São jovens, profissionais, militantes e cidadãos que decidiram enfrentar uma disputa dominada por partidos grandes, candidatos milionários e estruturas políticas que funcionam há décadas. Kel, por exemplo, já participou de três eleições e recebeu 74 votos em 2020, 178 em 2022 e 110 em 2024. Não venceu, mas continuou tentando. Em tempos em que muita gente critica a política do sofá, colocar o nome na urna, mostrar o rosto e enfrentar o julgamento público já exige uma coragem que não cabe no resultado da apuração.

A missão do Missão é dificílima. Em 2022, o quociente eleitoral para deputado federal em Sergipe ficou próximo de 149 mil votos. Para uma legenda nova, sem deputado, prefeito ou puxador eleitoral, alcançar essa faixa é quase tentar subir uma montanha carregando o próprio palanque. O partido pode fazer barulho, crescer e preparar lideranças para o futuro, mas chegar imediatamente à Câmara Federal exigiria uma arrancada próxima de um milagre eleitoral. E milagre, como se sabe, não costuma aparecer no boletim de urna apenas porque a convenção terminou animada.

Mesmo assim, existe algo positivo nessa caminhada. É bom para Sergipe ver jovens como Davi Valença e seus companheiros entrando na política por convicção, acreditando em uma ideia e oferecendo ao eleitor uma alternativa. Talvez o mandato não venha agora. Talvez a eleição sirva apenas para plantar uma semente, formar uma base e apresentar novos nomes. Mas a democracia também se constrói assim: com gente disposta a lutar mesmo quando sabe que o caminho é quase impossível. O Missão pode não chegar a Brasília em 2026, mas já cumpre uma missão importante ao provar que esperança, coragem e renovação também merecem espaço na urna.

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