A partida do coronel Luiz Fernando Silveira de Almeida dói não apenas pela morte em si, mas por tudo aquilo que ela arranca da memória de quem conviveu com ele. Nos últimos tempos, tenho perdido amigos queridos, companheiros de estrada, de conversa, de vida. Giltinho Garcia, Stênio da J. Andrade, Caio Macedo e agora Luiz Fernando. A gente vai ficando mais velho e começa a perceber que a vida, esse livro bonito e duro, vai virando páginas sem pedir licença. Cada amigo que vai embora leva um pedaço da nossa juventude, das nossas histórias e daquela alegria simples que a gente achava que nunca acabaria.
Luiz Fernando era desses homens que não precisavam anunciar grandeza. Natural do Rio de Janeiro, fez vida em Sergipe, construiu trajetória na Polícia Militar, foi coronel, ocupou cargos importantes, passou pela gestão pública, chefiou estruturas de segurança e defesa social, mas nunca se escondeu atrás do título. Era coronel, mas não precisava andar fantasiado de autoridade. Andava simples, tranquilo, aberto, com jeito de quem sabia comandar sem humilhar e orientar sem diminuir ninguém. Soldado gostava dele. Praça gostava dele. Oficial gostava dele. E isso, dentro da vida militar, não é pouca coisa. É patente moral.
Antes da PM, também havia a marca do Exército, do R2, da formação de oficial, da disciplina aprendida cedo. Lembro dessas conversas antigas, desse tempo em que Exército e Polícia Militar cruzavam caminhos, hierarquias, histórias e amizades. Luiz Fernando chegou aspirante, foi construindo seu espaço e, com o tempo, virou uma dessas figuras que a gente encontrava nos clubes, nas rodas, nos ambientes da vida sergipana, sempre com o mesmo modo: sereno, educado, sem afetação. Gostava de gente. Gostava de conversa. Gostava de estar perto.
Havia nele também uma alegria que vinha de casa, da música, da sensibilidade. Irmão de Suyan, grande cantora de blues e jazz, Luiz Fernando carregava algo dessa leveza artística no jeito de viver. Talvez por isso fosse tão diferente de muitos homens duros da farda. Tinha disciplina, mas tinha alma. Tinha comando, mas tinha delicadeza. Tinha história, mas tinha simplicidade. Era daqueles que poderiam bater continência à vida sem fazer barulho.
Sua morte, vítima de infarto fulminante, deixa Sergipe mais pobre de presença e mais rico de lembrança. Hoje, amigos, colegas de farda, familiares e todos que cruzaram seu caminho sentem a ausência de um grande oficial e de um grande ser humano. Luiz Fernando parte cedo demais, aos 60 anos, mas deixa uma imagem limpa: a de um homem que serviu, respeitou, ouviu, acolheu e viveu sem precisar se exibir. Hoje, a Polícia Militar, o Exército da memória, os amigos e a vida batem continência. Não apenas ao coronel. Ao homem.





Uma resposta
Obrigada pela bela homenagem ao meu amado irmão