A sucessão na OAB de Sergipe ainda está distante, mas o debate já apresenta uma conclusão difícil de ignorar: a próxima eleição pode ser marcada pela força das mulheres. Não por concessão, simbolismo vazio ou obrigação estatutária. A advocacia sergipana possui mulheres com currículo, experiência eleitoral, presença acadêmica, atuação institucional e capacidade administrativa para disputar o comando da entidade. Rose Morais desponta como o nome de maior projeção nacional. Clara Machado e Ana Lúcia Dantas Aguiar já enfrentaram as urnas da Ordem. Maria Edênia Passos Mendonça ocupa a Vice-Presidência da Seccional. Andréa Leite exerce a Secretaria Geral. América Cardoso Barreto Lima Nejaim, Marília de Almeida Menezes e Carla Caroline de Oliveira Silva chegaram à lista sêxtupla do Quinto Constitucional. A OAB das mulheres não é um slogan inventado antes da campanha. É uma realidade que começou a ser construída dentro da própria instituição.
Rose Morais chega a esse debate com uma vantagem institucional evidente. Ela conhece a OAB de dentro para fora e de fora para dentro. Foi conselheira seccional, secretária geral adjunta, corregedora, ouvidora e coordenadora das comissões em Sergipe. Disputou a Presidência da Seccional, integrou a lista tríplice para o Tribunal Superior do Trabalho e hoje ocupa a Secretaria Geral do Conselho Federal, sendo a primeira mulher nordestina a alcançar esse posto. Tornou-se uma das dirigentes mais próximas de Beto Simonetti, participa das grandes articulações nacionais e já assumiu interinamente a Presidência da OAB brasileira. Poucos nomes da advocacia sergipana conhecem com tanta profundidade a rotina da Seccional e, ao mesmo tempo, os corredores institucionais de Brasília. Rose não precisaria aprender a administrar a Ordem. Ela já ajudou a administrar a OAB de Sergipe e hoje participa da condução da OAB Nacional. Se decidir voltar seu olhar para a sucessão estadual, entrará naturalmente como uma das candidatas mais fortes.
Mas a força feminina não se resume a Rose. A professora Clara Machado, especialista em Direito Público e Empresarial, obteve 1.908 votos e terminou em segundo lugar na eleição de 2024, com 25,26% dos votos. Sua campanha defendeu independência, transparência, governança, apoio à jovem advocacia e políticas específicas para as mulheres. Ana Lúcia Dantas Souza Aguiar, também candidata à Presidência, alcançou 999 votos e construiu uma plataforma voltada ao acolhimento, à saúde mental, à inclusão e à aproximação da Ordem com a advocacia de base. As duas saíram da disputa com capital político próprio e experiência de campanha. Maria Edênia Passos Mendonça, atual vice-presidente, reúne a confiança da gestão de Danniel Costa e vem participando diretamente da condução administrativa da entidade. Andréa Leite, atual secretária geral, também conhece a engrenagem da Seccional e aparece como uma liderança experiente, organizada e presente no cotidiano institucional.
O Quinto Constitucional revelou outro grupo de mulheres competitivas. América Cardoso Barreto Lima Nejaim conquistou 1.929 votos e terminou entre os seis nomes escolhidos diretamente pela advocacia. Marília de Almeida Menezes recebeu 1.837 votos e também integrou a lista sêxtupla. Carla Caroline de Oliveira Silva alcançou 1.792 votos, ocupando a vaga da cota racial feminina e confirmando sua capacidade de mobilização. Acácia Gardênia Santos Lelis, obteve 1.480 votos e ficou muito próxima da lista final. Clarisse de Aguiar Ribeiro Simas também teve votação expressiva, com 1.482 votos. Esses resultados não elegem automaticamente uma futura presidente, mas funcionam como um poderoso teste de reconhecimento. Elas colocaram seus nomes diante de quase dez mil eleitores, defenderam currículos, enfrentaram comparação pública e demonstraram que possuem base dentro da advocacia.
Outros nomes mencionados nos bastidores, como a advogada Tatiane Silvestre e mulheres ligadas à advocacia pública municipal, merecem entrar no radar, desde que suas eventuais candidaturas sejam confirmadas e seus currículos apresentados à classe. O quadro comprovado, contudo, já é suficientemente forte. Clara tem votos e discurso. Ana Lúcia tem experiência eleitoral e atuação de base. Edênia e Andréa conhecem a gestão atual por dentro. América, Marília, Carla, Acácia e Clarisse passaram pelo rigoroso teste do Quinto Constitucional. Rose Morais reúne tudo isso e acrescenta projeção nacional, experiência administrativa e trânsito institucional. Depois da gestão de Danniel Alves Costa, a advocacia sergipana pode estar pronta para entregar sua Presidência, pela primeira vez, a uma mulher.




