Enquanto o país ainda digeria os desdobramentos da semana política, Sergipe já estava acendendo fogueira, preparando licitações culturais e lotando palcos. O fim de semana marcou o início oficial dos festejos juninos em Sergipe — e a julgar pela estrutura, não faltou verba, tampouco calor humano.
Aracaju, Nossa Senhora do Socorro, Estância, Areia Branca e Itabaiana transformaram o que seria um simples “início de mês” num espetáculo de forró, tradição, gasto público (com direito a patrocínio e isenção), e claro: marketing político disfarçado de arraial.
Aracaju: palco gigante, shows milionários e 32 mil motivos para comemorar

A capital sergipana botou pra moer. A estreia do Arraiá do Povo na Orla da Atalaia reuniu mais de 32 mil pessoas na sexta-feira (31). Teve Calcinha Preta, Zé Vaqueiro, Zé Tramela entre outros. Só no palco principal, a estrutura tem 46 metros — parece exagero, mas não se fala em crise quando o assunto é São João.
Com 30 dias de festa previstos e mais de 700 atrações (sim, você leu certo), o evento é bancado pelo Governo do Estado e virou vitrine para o tal “Sergipe, País do Forró”. Slogan novo, velha estratégia: música, milho, selfie e política.
Estância: tradição queima mais que a fogueira

Lá no sul do estado, Estância reacendeu a chama da tradição com a famosa Salva Junina. O evento, que abre oficialmente os festejos no município, contou com cortejo, bênção da fogueira e presença de padres, vereadores e fogos de artifício — um roteiro digno de novela das seis.
Estância, conhecida nacionalmente pelos barcos de fogo, usou o fim de semana para lembrar por que carrega o título de capital junina de Sergipe. E como manda a cartilha, teve discurso de preservação cultural e um cronograma que vai de quadrilhas a bandas de forró estilizado.
Nossa Senhora do Socorro: Forró Siri com nome de crustáceo e cara de megafestival

Se o nome Forró Siri soa cômico, o evento é coisa séria. A abertura no sábado (1º) foi em clima de multidão e marketing. No palco: Calcinha Preta (de novo), Tarcísio do Acordeon e Ramon & Randinho. A cidade montou estrutura digna de São João de Campina Grande, mas com sotaque sergipano e olho em 2026.
Ao todo, são mais de 20 dias de festa, 80 atrações e um investimento que ainda não foi completamente detalhado pela prefeitura. Mas a conta vem, e geralmente não é só com milho e amendoim.
Areia Branca: forródromo lotado e Wesley Safadão pra abrir os trabalhos

O município, que já virou queridinho entre os forrozeiros do estado, não economizou. A abertura do São João em Areia Branca teve Wesley Safadão, Unha Pintada e mais uma leva de artistas que fazem parte do circuito de shows que gira o Nordeste em junho.
O detalhe curioso? A cidade tem pouco mais de 18 mil habitantes, mas o público da primeira noite superou os 15 mil. A conta fecha? Nem sempre. Mas no São João, o que importa é a foto no palco e a multidão dançando.
Itabaiana: motores aquecidos para a Festa dos Caminhoneiros
A cidade serrana de Itabaiana ainda não deu a largada oficial nos festejos juninos, mas os motores já estão roncando para a tradicional Festa dos Caminhoneiros, que ocorrerá de 7 a 12 de junho. O evento mistura fé, música e, claro, muitos caminhões enfeitados desfilando pelas ruas. Entre as atrações confirmadas estão Simone Mendes, Zé Vaqueiro, Leonardo e Natanzinho. A programação inclui também feira de peças, alvorada, pirotecnia e até ação de saúde. É forró com revisão de freio ABS.
E o resto do estado?
Outros municípios também deram largada aos festejos. Itabaiana, Lagarto e Capela já têm programação definida para os próximos dias. O interior não fica pra trás — e nem quer. Afinal, junho é a chance de ouro para prefeitos se tornarem influencers por uma noite, com direito a likes, aplausos e contrato cultural.
Afinal, quem ganha com tanto forró?
Se você pensa que tudo isso é só alegria, pense de novo. Os festejos juninos em Sergipe movimentam milhões em recursos públicos, contratos de última hora, licitações relâmpago e um mercado paralelo que inclui de tudo — de aluguel de som a distribuição de diárias.
Mas sim, também geram emprego, renda e autoestima cultural. O forró continua sendo resistência — inclusive contra a pasteurização política que tenta transformar tudo em slogan. O povo dança, mas também observa.
E aí, já dançou seu forró ou ainda tá esperando a fogueira esquentar? Comenta aqui embaixo qual cidade deu o melhor pontapé no São João. E compartilha com aquele amigo que vive dizendo que “ninguém faz São João como o Nordeste”.
Fontes Principais:
Agência Sergipe de Notícias, F5 News, Prefeitura de Estância, Prefeitura de Areia Branca, Sergipe em Debate, AjuNews




