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Alessandro Vieira e a Previdência: 100% de argumento, 60% de pensão

Hoje, no Dia do Trabalhador, o sergipano já acorda daquele jeitinho clássico: coragem no peito, café fraco no copo e saldo negativo no aplicativo. Porque aqui, meu amigo, não tem essa de romantizar trabalho não. É luta mesmo. É pegar ônibus cheio, enfrentar calor de rachar e ainda ouvir político dizendo que fez tudo “pensando no futuro”. O problema é que o futuro chegou… e veio cobrando mais caro.

Aí você vai olhar os votos, sem raiva, só na frieza do dado, e começa a rir pra não chorar. Alessandro Vieira é aquele tipo de político que passa confiança. Fala bonito, postura firme, cara de quem não deve nem teme. E, veja, pode até ser isso mesmo. Mas política não é prova de caráter, é prova de consequência. E quando a conta veio pro trabalhador, ele não ficou em cima do muro não. Ele desceu do salto e apertou o botão do “sim”.

Na Reforma da Previdência, foi assim. Ele votou a favor. Maria do Carmo também. Rogério Carvalho disse não. Dois a um. Placar fechado. E o povo? O povo virou estatística. Porque depois disso, veio o pacote completo. Idade mínima mais alta, tempo maior de contribuição e aquele detalhe que parece pequeno, mas quebra a perna de muita família: pensão reduzida. Começa em 50%, vai subindo de pouquinho… e a maioria fica ali nos 60%. Sessenta. Parece promoção de loja, mas é a renda da viúva.

E não foi só isso não, viu. Quando você soma o histórico, começa a perceber que não é acaso, é padrão. Autonomia do Banco Central, marco do saneamento, PEC Emergencial com freio depois, regulação de rede… tudo com aquele discurso técnico, elegante, cheio de lógica. Só que, curiosamente, quando a técnica encontra o bolso do pobre, ela vira faca afiada. Corta suave, mas corta fundo. E o povo nem vê de onde veio o golpe.

E aí entra a melhor parte da ironia brasileira. A reforma veio com aquele discurso lindo de combater privilégio. Combater privilégio de quem, exatamente? Porque o trabalhador comum passou a trabalhar mais e receber menos, enquanto certas estruturas continuaram ali, firmes, fortes, protegidas, com regras diferenciadas, transiçãozinha aqui, garantiazinha ali e sua classe, a dos delagados manteve-se intacta. Aí o sergipano olha pra isso e solta logo: “rapaz, esse combate aí errou o endereço, foi?”

No fim das contas, a conta fecha. Alessandro pode ser um senador sério, correto, preparado. Mas, olhando o conjunto da obra, o saldo pesa mais pro lado do ajuste do que pro lado do povo. Ele até ajudou quando o bicho pegou, como no auxílio, mas quando o jogo era estrutural, quando era pra decidir o futuro do trabalhador, ele ficou do lado da matemática fria. E matemática fria, meu amigo, não paga feira, não compra remédio e não segura a dignidade de ninguém.

Então fica a reflexão, sem grito, mas com aquele sorriso irônico de quem já entendeu tudo. O problema nunca foi o discurso. O problema é que, enquanto o trabalhador sua, alguém lá em cima regula… e ainda acha que tá fazendo um favor. Só que aqui embaixo, no calor de Sergipe, o povo já percebeu. Favor que aperta bolso não é favor. É cobrança disfarçada de responsabilidade.

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