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Alessandro Seixas, Raul Vieira e a “Metamorfose Ambulante”

“Prefiro ser essa metamorfose ambulante / Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.” Pois bem, o senador Alessandro Vieira parece ter levado Raul Seixas ao pé da letra. Eleito em 2018 como o símbolo da novidade, o homem da coerência e da transparência, Alessandro hoje encarna o oposto do que pregava. Se antes combatia a velha política, hoje se confunde com ela. Se antes rejeitava práticas tradicionais, agora desfila entre as legendas com a naturalidade de quem já aprendeu todos os seus atalhos.

“Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes.” E não é isso que ele faz? Quando conquistou o Senado, prometeu que não buscaria reeleição. Hoje, anuncia justamente o contrário: quer voltar ao jogo, quer continuar na cadeira, quer a reeleição que jurava rejeitar. É o retrato fiel do político que se especializou em se desdizer, trocando convicções por conveniências.

“Se hoje eu sou estrela, amanhã já se apagou.”. Alessandro brilhou em 2018 como o outsider que mobilizou eleitores cansados do sistema. Ganhou simpatia pela campanha de financiamento coletivo, pela imagem de independência. Mas esse brilho foi se apagando quando, em 2022, ao disputar o governo, usou R$ 5,2 milhões do fundo eleitoral, o mesmo fundo que dizia abominar. Estrela que se vende como luz própria, mas que depende da energia velha do sistema para se manter acesa.

“Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes.” O senador já foi Rede, PPS (Cidadania), PSDB e hoje está no MDB, legenda tradicionalíssima e uma das maiores beneficiárias do fundo partidário. Se antes pregava fidelidade a princípios, hoje se acomoda nos braços do partido que oferece estrutura e dinheiro. Mudança de posição é saudável na política, mas quando cada passo é calculado apenas para caber na eleição seguinte, não se trata de metamorfose: é oportunismo.

“É chato chegar a um objetivo num instante.” Talvez por isso Alessandro prefira o caminho das voltas e contradições. Ele diz ser o novo, mas age como o velho. Diz combater privilégios, mas usufrui deles. Diz não se apegar a cargos, mas não larga o mandato. O eleitor sergipano, que acreditou em sua promessa de não reeleição, hoje se vê diante de um político que já não tem “velha opinião formada sobre tudo”, mas também não tem firmeza em nada.

No fim, a metamorfose de Alessandro Vieira não é a da evolução ou da coerência dinâmica. É a metamorfose da conveniência, da estratégia eleitoral e do discurso adaptado ao sabor das urnas. O senador que prometeu ser diferente acabou se tornando igual e talvez pior: porque vendeu esperança, mas entregou contradição.

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