Quando o ministro perde a compostura (e o cargo segue intacto)
A cena foi no mínimo constrangedora — e não, não estamos falando de mais uma briga no Congresso ou de uma delação premiada de última hora. Foi na Neo Química Arena, no clássico entre Corinthians e Palmeiras, onde Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, resolveu abandonar de vez qualquer noção de liturgia do cargo e simplesmente mostrou o dedo do meio para o público.
Sim, o ministro do STF — aquele que decide os rumos da democracia, julga presidentes, influencia eleições e comanda inquéritos — respondeu com o famoso “f*da-se” não-verbal. Aparentemente, teria sido uma reação a provocações de torcedores bolsonaristas. Mas e daí?
“Ah, foi provocação…” – e isso justifica?
Vamos deixar uma coisa clara: não importa pra quem ele direcionou o gesto. Pode ter sido para bolsonaristas, corintianos nervosos ou até mesmo para a câmera. O fato é que não é papel de um ministro do STF revidar ofensas com baixaria. Simples assim.
Se fosse um político qualquer, já seria feio. Agora, vindo de alguém que deveria ser símbolo de equilíbrio e racionalidade institucional? É grotesco.
Nem os apoiadores mais fervorosos conseguiram encontrar uma boa justificativa. Silêncio constrangido nas redes. Alguns tentaram romantizar com o “ministro é humano”, mas a maioria simplesmente engoliu seco. Porque o gesto, além de infantil, mina a credibilidade de um dos homens mais poderosos da República.
A cereja do bolo? Justo no dia da Lei Magnitsky
Se a imagem já não fosse ruim o bastante, o episódio aconteceu no exato dia em que os Estados Unidos impuseram sanções contra Moraes, com base na Lei Magnitsky, usada para punir violações de direitos humanos. Coincidência ou provocação? O gesto no estádio parece ter sido a resposta mais literal possível: o ministro, sob pressão internacional, respondeu com um dedo em riste, como quem diz “não ligo pra vocês”.
Só que o mundo está assistindo. E não é o tipo de imagem que passa confiança — nem para o Judiciário, nem para a democracia brasileira.
É isso que queremos como símbolo da Justiça?
Imagine um juiz do STF americano fazendo isso. Ou um membro da Suprema Corte alemã. Difícil, né? Porque lá, mesmo discordando politicamente, ainda se respeita a liturgia, a instituição, o cargo. Aqui, não. Aqui, o ministro mostra o dedo e segue impávido, protegido por toga e silêncio institucional.
É esse o retrato da nossa elite jurídica: quando criticado, responde com grosseria — e com impunidade. A pergunta que fica é: até quando?
E você, o que achou da atitude do ministro? Um erro pontual ou um sintoma mais grave? Comente, compartilhe e não deixe essa passar em branco.
Fontes Principais
Poder360, Correio Braziliense, Lance!, Facebook




