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Ana Luíza Dortas Valadares: partiu quem fazia política sem precisar de palanque

Enquanto muitos disputam holofotes, ela preferiu o bastidor — e fez mais do que muito medalhão por aí

Faleceu nesta sexta-feira, 17 de outubro de 2025, Ana Luíza Dortas Valadares. Aos 73 anos, ela deixou a vida pública de luto, não por cargos ou títulos, mas pelo que representava de verdade: compromisso, firmeza e uma noção rara de serviço público.

Nascida em Simão Dias, em 1952, Ana Luíza era daquelas figuras que não precisam levantar a voz para serem ouvidas. Professora, advogada, gestora, articuladora e, sim, ex-primeira-dama de Sergipe — mas nunca “apenas” isso. Ela transformou cada papel institucional em instrumento de ação concreta. E ação, convenhamos, anda em falta.

Educação, cultura e coragem: o tripé de uma vida pública real

Formada em História e Direito pela Universidade Federal de Sergipe, Ana Luíza foi professora concursada da rede estadual. Mas sua presença ia além da sala de aula. Atuou como superintendente da LBA, chefiou o Departamento Escolar da Secretaria de Educação e presidiu o Conselho Estadual de Cultura.

Nada disso foi “cargo de enfeite”. Ela arregaçou as mangas, dialogou com a ponta, ouviu quem ninguém ouve e defendeu políticas públicas como quem defende a própria casa.

Na cultura, fez do conselho um espaço vivo, pulsante, onde a cultura popular, os artistas periféricos e as tradições locais tinham vez — mesmo quando o orçamento dizia o contrário.

Primeira-dama, sim. Mas do tipo que governa com ação, não com pose

Entre 1987 e 1991, durante o governo de Antônio Carlos Valadares, seu marido, Ana Luíza ocupou o posto de primeira-dama de Sergipe. Mas ao invés de posar para fotos, ela mergulhou na assistência social e no diálogo com comunidades. Gente que só via o governo chegar quando ela aparecia.

Sem caridade performática, sem jogo de marketing. Só trabalho. Só gente.

Um legado que não cabe num obituário

Ana Luíza deixa filhos — entre eles, o ex-deputado e ex-senador Valadares Filho e Luciana Dortas Valadares —, netos, amigos e uma legião de admiradores que entenderam, cedo ou tarde, que ela não fazia política para ganhar eleição. Ela fazia para mudar estruturas.

E conseguiu.

Seu velório foi realizado no Cemitério Colina da Saudade, em Aracaju. Discreto, como sempre foi. Mas cheio de significados, como tudo que fez.

O Brasil perdeu uma mulher pública. Sergipe perdeu uma referência. A política perdeu uma lição

Em tempos de “autoridades” que confundem visibilidade com valor, Ana Luíza deixa um vazio que não se preenche com cargo, mandato ou marketing. Seu legado é outro: o de quem serviu — sem esperar aplauso, sem fazer cena, sem cair na tentação da vaidade.

Que seu nome seja lembrado não só com flores, mas com continuidade. Com políticas públicas sérias, com valorização da cultura e com educação que transforma de verdade.

Que Ana Luíza Dortas Valadares descanse — e que sua trajetória continue provocando inquietação em quem ainda acredita que política é performance.


Você conheceu Ana Luíza? Trabalhou com ela? Foi impactado por alguma ação dela? Compartilhe nos comentários sua lembrança, sua visão ou o que aprendeu com essa mulher que fez diferença mesmo longe do palco.


Fontes Principais

Portal Infonet, Fan F1, Jornal da Cidade, NE Notícias

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