A fronteira entre informar e performar anda cada vez mais borrada em Sergipe.
O delegado e secretário a Prefeitura de Aracaju, André David, figura midiática e disciplinada no protagonismo, tem transformado cada operação policial em espetáculo de auditório. É eficiente? Sim. Corajoso? Talvez. Mas também é midiático até o talo. Tudo o que faz, publica. Cada apreensão, cada blitz, cada prisão, tudo vira manchete, tudo vira palco. E aqui começa o problema: quando a segurança pública se torna entretenimento, a linha entre o servidor e o super-herói some.
André David parece ter entendido que, em tempos de redes sociais, quem aparece mais governa melhor. O perigo é que essa exposição constante não apenas o coloca como o “justiceiro de Aracaju”, mas cria uma relação emocional perigosa com o público, uma idolatria que pode desvirtuar o sentido institucional da lei. Quando o policial vira influencer, o combate ao crime corre o risco de virar um roteiro de série com trilha sonora e frases de efeito. E o povo, sedento por heróis, embarca fácil. Mas o Estado Democrático de Direito não vive de curtidas. Vive de limites.
De outro lado, o Promotor Rogério Ferreira, responsável pelo controle externo da atividade policial, surge como o contraponto e também como combustível da polêmica. Em entrevista, ele afirmou que “flanelinha não é profissão ilegal”, cobrando da Prefeitura a regulamentação que deveria ter sido feita há 15 anos. Está certo: a lei existe, e a omissão do Município é vergonhosa. Mas o tom e o momento de suas falas também escorregam para o pessoal. Há um histórico público de atrito entre o promotor e o delegado, e essa briga institucional, travestida de debate jurídico, já saiu da esfera técnica há muito tempo.
O resultado? Uma disputa que desmoraliza ambos e desinforma a sociedade. De um lado, um delegado que se acha “Rambo de colete azul”. Do outro, um promotor que parece mais preocupado em enquadrar David do que resolver o caos urbano que envolve os flanelinhas, os guardas e o medo diário da população. Enquanto isso, a Prefeitura de Aracaju silencia e o Ministério Público ainda não explicou se Rogério fala por si ou pela instituição. E o procurador-geral de Justiça, Nilzir Soares Vieira Júnior, precisa sair do modo avião e explicar ao povo se há ou não perseguição interna.
A população merece respostas e não um ringue institucional transmitido em tempo real. Quem tem razão: o promotor que exige a letra fria da lei ou o delegado que expõe o calor da rua? Talvez nenhum. Porque ambos, ao se perderem na vaidade e no ego, esqueceram que a segurança pública não é palco de ego, mas trincheira de equilíbrio. Chegou a hora de o Ministério Público e a Prefeitura colocarem ordem na casa e no feed. O povo não quer heróis de capa ou de toga. Quer segurança, legalidade e, principalmente, respeito à inteligência coletiva. Enquanto isso, seguimos assistindo ao espetáculo: de um lado, o delegado que ama o palco; do outro, o promotor que briga pelo script. E Aracaju, mais uma vez, de figurante no próprio noticiário
E você, o que acha dessa guerra de vaidades entre instituições que deveriam proteger o povo?
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Respostas de 2
Pra mim o resultado de André David deixa a população mais tranquila e com efeito imediato,o promotor deveria se unir e procurar defender melhor a população e deixar o egoísmo de lado e não querer copiar os ministros, que são maus exemplos.
Givanildo, o que o promotor realmente quer é que a lei seja aplicada e não da forma truculenta com que o delegado vem agindo. Não é assim que se faz Justiça: chegar, interromper uma atividade, pegar 10 ou 15 pessoas, colocar todas em cima de uma caminhonete e levá-las para a delegacia. Isso é abuso, não é zelo pela lei.
O papel do promotor é ser o fiscal da lei, e o doutor Rogério tem cumprido essa função com correção, dentro dos limites constitucionais.
Quanto ao André Davi, é claro que ele tem o dever de combater irregularidades, ninguém discorda disso. A questão é a forma. O combate deve ser firme, mas dentro da legalidade, com equilíbrio e respeito às pessoas. Do jeito que está sendo conduzido, o efeito é o contrário: causa medo e desordem, não segurança.