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Angélica Guimarães é eleita presidente do TCE-SE: mais do que uma vitória, um recado político

Sim, o Tribunal de Contas é técnico. Mas quem ocupa sua presidência costuma ter o pé fincado na política — e Angélica Guimarães é o exemplo mais claro disso.


Em eleição realizada no dia 6 de novembro de 2025, a conselheira Angélica Guimarães foi escolhida presidente do Tribunal de Contas do Estado de Sergipe (TCE-SE) para o biênio 2026/2027. A posse está marcada para o dia 12 de dezembro, mas a movimentação em torno do nome dela já sinaliza bem mais do que uma troca de cadeira. É a política batendo ponto onde se finge que só há técnica.

A nova presidente vai assumir o posto no lugar de Susana Azevedo — a quem sucede como a terceira mulher a liderar o TCE-SE. Antes delas, Isabel Nabuco também abriu caminho. Angélica, no entanto, não é novata no jogo de poder. Na verdade, ela joga há tempos — e com talento de quem já enfrentou (e venceu) muitas batalhas nas urnas e nos bastidores.


De Japoatã ao comando do TCE

Formada em Medicina, Angélica Guimarães estreou na vida pública como prefeita da sua cidade natal, Japoatã, entre 1993 e 1996. Mas foi na Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) que cravou seu nome na história: quatro mandatos consecutivos como deputada estadual, além de ter sido a primeira mulher a presidir o Legislativo sergipano por dois biênios. Um feito que nem os caciques locais conseguiram repetir.

Na Alese, ocupou ainda a vice-presidência e atuou em comissões temáticas decisivas. Sua habilidade de articulação sempre foi mais forte que o barulho — mesmo quando os holofotes estavam em outros.


TCE: onde a política troca de roupa

Em 2015, ela trocou o terno partidário pela toga do Tribunal. Foi indicada pela própria Assembleia como conselheira do TCE-SE, onde coleciona cargos importantes: Corregedora-Geral (2018/2019 e 2022/2023) e Ouvidora (2020/2021 e 2024/2025). E não pense que foi só para preencher estatísticas — Angélica também soma no currículo uma pós-graduação em contabilidade pública, o que afia o lado técnico sem abrir mão do político.

Agora, na presidência, quer ampliar o diálogo com os jurisdicionados e aproximar o TCE da sociedade sergipana. Na prática, isso significa tentar dar uma cara mais “popular” a uma instituição que, até hoje, é vista como um puxadinho elitista da administração pública.


Mulheres no comando: símbolo ou mudança real?

Com sua eleição, Angélica reforça a presença feminina no topo do TCE — uma pauta importante, mas que ainda esbarra na sub-representação geral da política sergipana. Três mulheres no comando da Corte de Contas não são coincidência, mas também não viraram regra.

A nova presidente sabe disso e faz questão de ressaltar a simbologia da sua ascensão. Resta saber se conseguirá transformar esse símbolo em prática efetiva: mais transparência, mais fiscalização de verdade e menos formalismo que só serve pra inglês ver.


O que esperar do biênio 2026/2027?

A escolha de Angélica Guimarães coloca no comando do Tribunal uma figura com capital político, trânsito nos bastidores e bagagem técnica. Isso pode ser bom para a eficiência institucional — ou ruim, se o velho hábito de “blindar aliados” continuar sendo regra silenciosa.

De qualquer forma, a presidência de Angélica não será neutra. E nem deveria ser. A política sergipana está em ebulição, e o Tribunal de Contas, como órgão fiscalizador, tem nas mãos o poder (e o dever) de incomodar os donos do poder. Resta saber se haverá disposição real para isso.


O que você espera da nova presidente do TCE-SE? Fiscalização dura ou só mais do mesmo? Comente, compartilhe e siga acompanhando o Portal Fausto Leite.


Fontes principais:

TCE-SE, G1 SE, Atricon, Infonet, F5 News, Itnet, Hora News, SE.gov.br

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