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As 72 horas do Senado: muita sola de sapato, pouca cadeira garantida

As últimas 72 horas dos postulantes ao Senado por Sergipe lembraram uma rodoviária em véspera de feriado: gente chegando, gente saindo, candidato atravessando município, assessor procurando sinal de internet e fotógrafo implorando para o eleitor repetir o abraço porque a primeira imagem ficou desfocada. André Moura passou por Nossa Senhora do Socorro e pelo Raid da Amizade, em Feira Nova, Rogério Carvalho reuniu lideranças em Gararu, Alessandro Vieira oficializou sua candidatura na convenção do MDB, Eduardo Amorim e André David foram a Boquim, enquanto Edvaldo Nogueira voltou ao velho terreiro político do PCdoB para receber apoio à sua pré-candidatura. Foi um fim de semana em que quase todo mundo disse estar “ouvindo o povo”, essa entidade eleitoral misteriosa que, curiosamente, só começa a ser ouvida com tamanha intensidade quando a urna já aparece no horizonte. 

André Moura apresentou uma agenda territorializada, costurada com encontros, cavalgada, lideranças e presença física. Em Socorro, resumiu sua estratégia afirmando que “o nosso compromisso é estar presente, conversando com as pessoas”; depois, apareceu no Raid da Amizade, ao lado do governador Fábio Mitidieri, prestigiando a tradição sertaneja. Não inventou uma tese de doutorado para explicar o movimento: foi para a estrada, apertou mãos e ocupou o território, porque eleição para o Senado não se vence apenas com vídeo gravado em escritório refrigerado e legenda produzida por inteligência artificial. Mas também convém lembrar que presença é o ponto de partida, não o diploma de conclusão: o eleitor ainda vai querer saber o que existe depois da fotografia, da cavalgada e do inevitável “seguimos juntos”, expressão que já deve pagar imposto de tanto circular nas campanhas.

Eduardo Amorim teve um fim de semana de intensa presença política, acompanhando Valmir de Francisquinho em agendas importantes e reforçando, por onde passou, sua capacidade de diálogo, articulação e proximidade com a população. Em Boquim, durante o encerramento do Novenário de Senhora Sant’Ana, uniu fé, memória afetiva e política, reencontrou lideranças, conversou com moradores e mostrou que continua sendo recebido com respeito e reconhecimento. Com a experiência de quem já foi deputado federal, senador e secretário de Estado da Saúde, Eduardo não aparece apenas para completar fotografia: participa, escuta, soma apoios e fortalece a chapa com credibilidade, trajetória e conhecimento de Sergipe. Sua movimentação no fim de semana confirmou a imagem de um candidato experiente, agregador e cada vez mais integrado ao projeto político de Valmir.

Rogério Carvalho foi a Gararu com a mala carregada de números. Declarou ter sido “o parlamentar que mais destinou recursos para Sergipe em toda a história” e enumerou bilhões em investimentos, obras e articulações com o governo Lula. A frase é forte, embora tão grande que quase precise de acostamento para passar; por isso, os valores apresentados em material de assessoria precisam sempre ser examinados com a lupa que o jornalismo reserva às contas políticas. 

Alessandro Vieira, por sua vez, saiu do fim de semana com aquilo que os demais ainda aguardam: candidatura oficialmente homologada pelo MDB, suplentes apresentados e trinta nomes proporcionais confirmados. Em seu discurso, afirmou que “coragem não é fazer barulho, é fazer o que é certo”. A frase é boa, mas campanha silenciosa também não enche urna; Alessandro terá de transformar a bandeira da independência em presença popular, evitando que a candidatura pareça tecnicamente correta, juridicamente organizada e emocionalmente guardada dentro de uma pasta com elástico.

Edvaldo Nogueira voltou ao PCdoB, partido no qual construiu quarenta anos de trajetória, para receber apoio e defender a unidade progressista. Disse que “o Senado precisa de pessoas que façam aquilo que dizem”, frase que, se aplicada com rigor a toda a política brasileira, pode provocar um esvaziamento de emergência nos plenários. O reencontro teve simbolismo, memória e discurso sobre democracia, mas Edvaldo precisa provar que sua longa experiência administrativa cabe numa campanha estadual, para além da lembrança dos quatro mandatos de prefeito. Já Rodrigo Valadares, Coronel Rocha e Iran Barbosa tiveram menor volume de atividade pública verificável nas fontes abertas consultadas durante o recorte. Isso não comprova ausência de trabalho, porque agenda política também acontece longe das câmeras; comprova apenas que, enquanto alguns candidatos disputaram estradas, missas e convenções, outros deixaram menos pegadas digitais para o eleitor seguir.

O balanço final é que a eleição para o Senado entrou definitivamente na fase do movimento: André Moura aposta na estrada; Eduardo Amorim, na recomposição de alianças e na experiência; Rogério Carvalho, na conexão com Lula; Alessandro Vieira, na independência e na coragem; Edvaldo Nogueira, na experiência administrativa; André David, na força da chapa; Rodrigo Valadares e Coronel Rocha, na identidade da direita; Iran Barbosa, no campo ideológico da esquerda. Todos têm frases de efeito, fotografias e algum tipo de narrativa pronta. O que ainda falta descobrir é quem possui história capaz de sobreviver quando o microfone desliga, o fotógrafo vai embora e o eleitor pergunta, sem assessoria por perto: “Muito bonito, candidato, mas o que exatamente o senhor pretende fazer no Senado?”. Aí termina o marketing, começa a prova oral e não existe cavalgada, convenção ou filtro de Instagram que possa soprar a resposta.

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