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Assédio, demora e o silêncio do prefeito em Socorro

O caso de assédio sexual envolvendo o então secretário de Serviços Urbanos de Nossa Senhora do Socorro, Alcides Júnior, é grave por si só e ainda está sob investigação. Mas o que chama atenção, politicamente, não é apenas a denúncia. Foi a demora do prefeito Samuel Carvalho em exonerar o auxiliar.

Houve boletim de ocorrência. Houve medida protetiva concedida pela Justiça. Houve relato de que o episódio teria ocorrido dentro de uma repartição pública. Ainda assim, a resposta da gestão foi lenta. E em casos assim, o tempo não é detalhe burocrático. É posicionamento.

Samuel é pastor e construiu sua imagem pública ancorada em valores morais. A própria igreja condena práticas como essa. O mesmo vale para o círculo religioso do secretário, cuja esposa também é pastora. Por isso mesmo, esperava-se uma reação imediata, não para condenar previamente, mas para proteger a vítima e preservar a instituição.

A exoneração só veio depois, acompanhada de nota oficial reafirmando compromisso com ética e respeito às mulheres. Palavras corretas, mas enfraquecidas pela demora. Ética tardia soa mais como resposta à pressão do que como convicção.

Para encerrar o ano, fica o alerta político. Fé e discurso moral não podem aparecer apenas na campanha ou no púlpito. Precisam se traduzir em decisão rápida quando o cargo público cruza a linha da dignidade. Porque, na política, o silêncio e a hesitação também são escolhas.

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