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Avante tem nove candidatos, algumas causas e quase nenhum caminho até Brasília

O Avante apresentou Cabo Didi, Alessandra da ONG Voluntários Pet, Toninho Arimatea, Claudio Luis Apresentador, Tininho Estevez, Coronel Mano, Raputenga, Juliana Silva Mãe Atípica e Thannata da Equoterapia como candidatos a deputado federal. A nominata tem policial, apresentador, humorista, ex-vice-prefeito, vereadora e representantes de movimentos sociais. Tem diversidade suficiente para uma mesa-redonda. O problema começa quando a conversa chega à urna. Sergipe oferece oito cadeiras, mas cobra perto de 150 mil votos por quociente. Para entrar com alguma força na disputa das sobras, o Avante teria de aproximar-se de 120 mil. Até agora, a chapa tem mais personagens do que votos.

Cabo Didi e Coronel Mano são os únicos que apresentam votação federal anterior relevante para o tamanho do grupo. Didi chegou a 7.806 votos em 2018. Mano obteve 6.613 em 2022. São números respeitáveis para candidaturas individuais de pequeno porte, mas pequenos para quem deveria empurrar uma legenda inteira. Thannata da Equoterapia chega como a melhor novidade. Foi eleita vereadora de Aracaju com 2.271 votos com o apoio do ex-padrinho capitão Samuel, possui mandato e atua numa pauta social definida. Tem potencial de crescimento. Só não se deve confundir potencial com milagre. Para liderar uma chapa federal, ela precisaria multiplicar sua votação municipal muitas vezes e ainda ensinar a mesma fórmula aos oito companheiros.

Toninho Arimatea conhece a política de Capela, foi vereador e vice-prefeito, mas sua votação nominal comprovada sempre esteve na faixa de centenas. Os votos da chapa majoritária de 2020 não pertencem pessoalmente a ele. Tininho Estevez também carrega experiência administrativa em Nossa Senhora do Socorro, embora seus resultados eleitorais conhecidos tenham ficado abaixo de 500 votos. Claudio Luis Apresentador e Raputenga entram pela porta da comunicação. Um vem da televisão. O outro, do humor. Os dois podem conquistar reconhecimento. A dificuldade é fazer o telespectador abandonar o sofá e o seguidor abandonar o botão de compartilhar para apertar quatro números na urna.

Alessandra da ONG Voluntários Pet, Juliana Silva Mãe Atípica e Thannata representam segmentos sociais legítimos, organizados e com capacidade de mobilização. A proteção animal, a inclusão e a defesa das famílias atípicas oferecem identidade à chapa. Porém, nenhuma dessas pautas apresentou até agora dimensão eleitoral suficiente para produzir dezenas de milhares de votos. Somados apenas os melhores resultados nominais conhecidos de Cabo Didi, Coronel Mano, Toninho, Tininho e Thannata, ainda que obtidos em eleições diferentes, o total mal ultrapassa 18 mil. Para chegar a 120 mil, faltariam mais de 100 mil votos. Não é uma caminhada. É uma excursão internacional.

O Avante subirá no palanque de Valmir de Francisquinho, aparecer ao lado do Republicanos e participar da narrativa majoritária. Só não poderá pegar emprestados os votos dos candidatos republicanos, porque as coligações proporcionais foram proibidas. Na hora da apuração, cada legenda paga sua própria conta. O diagnóstico, portanto, é direto. O Avante tem uma chapa mais consistente que a do MDB, mas não possui hoje musculatura para eleger deputado federal. Montou uma nominata com causas, biografias e boa fotografia. Para Brasília, porém, fotografia não embarca sozinha. Precisa levar cerca de 120 mil votos na bagagem, e essa mala, por enquanto, está quase vazia.

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