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Brasil acima do teto (só para alguns)

Enquanto a população lida com cortes no Farmácia Popular, menos verba para universidades e um salário mínimo que mal cobre o básico, o Congresso Nacional aprovou, em tempo recorde, uma série de medidas que aumentam privilégios para si mesmo. O fundo eleitoral saltou de 1 para quase 5 bilhões de reais, o fundo partidário ganhou mais 160 milhões e, para completar, servidores do Legislativo receberam o direito de ultrapassar o teto constitucional, com benefícios criados sob medida.

Os reajustes dos servidores do Congresso foram aprovados em poucas horas, com direito a salários que podem chegar a 77 mil reais por mês. Enquanto isso, o piso nacional dos professores ficou travado por semanas e ainda depende de medida provisória, sem garantia de pagamento imediato. A valorização dos profissionais da educação continua restrita ao discurso, enquanto os funcionários do Legislativo acumulam gratificações e folgas convertidas em dinheiro, livres de desconto do imposto de renda.

O pacote de bondades não parou por aí: os deputados criaram brechas para ampliar o número de parlamentares e facilitar a própria blindagem contra processos criminais. Emendas parlamentares liberaram mais 61 bilhões de reais para acordos políticos, enquanto a tesoura passou fundo nos programas sociais. O resultado? Mais recursos para campanhas, menos investimentos em saúde, educação e assistência à população que depende do SUS.

A conclusão é simples: no Brasil, o teto salarial só é obstáculo para quem não faz as regras. Para o cidadão comum, sobra contenção de gastos e promessa vazia. Já no Congresso, basta criatividade administrativa para driblar qualquer limite. Justiça social, aqui, é só para inglês ver — e olhe lá.

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