Em Sergipe, quando a conversa é comunicação, o negócio às vezes sai do gabinete e vai parar na calçada, no cafezinho, no grupo de zap e, se bobear, na feira de Itabaiana. Foi mais ou menos isso que aconteceu no bate boca entre Júnior Carvalho e Cleon Menezes. Não foi só discussão, foi aquela afronta bem no estilo sergipano, olho no olho, palavra afiada e cada um querendo dar a última. E o povo só olhando e dizendo, isso aí vai render.
Júnior Carvalho entrou como quem conhece cada palmo da estrada e não precisa de GPS pra achar a verdade. Puxou a promessa de 2022 sobre o Banese, disse sem gaguejar que não ia ter venda e cobrou coerência como quem cobra dívida antiga. Mas não parou por aí, não. Trouxe também pra mesa a conversa sobre a Iguá, que vive no centro das reclamações do povo que ainda espera solução de verdade, não só conversa bonita. Foi no estilo sergipano raiz, sem rodeio, sem maquiagem, direto ao ponto. E vamos combinar, quando alguém lembra promessa, cobra serviço e aponta problema real, não está criando confusão, está só fazendo o básico que muita gente evita. E isso, em terra onde o povo fala na lata, pesa muito mais do que discurso bem ensaiado.
Do outro lado com Cleon, veio a resposta cheia de número, lucro pra cá, resultado pra lá, concurso feito, banco crescendo. E tudo isso é verdade, ninguém nega. Será? O Banese deu lucro, girou dinheiro, chamou gente nova. Agora, como diz lá em Itabaiana, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Resultado bom não apaga promessa antiga, só muda a conversa. E é aí que o povo começa a coçar a cabeça e perguntar se está entendendo direito.
O mais curioso é ver a tentativa de tratar cobrança como desinformação. Em Sergipe não cola fácil não. Aqui o povo tem memória, compara, junta as peças e tira a conclusão. Dizer que está tudo certo não basta, tem que explicar direitinho, sem enrolação. Porque quando começa a explicar demais, o povo já olha de lado e solta aquele clássico, tem caroço nesse angu.
No fim das contas, o que era pra ser debate virou quase uma rinha de argumento, cada um tentando puxar a razão pro seu lado. Só que no meio disso tudo, Júnior acabou fazendo o papel que muita gente evita, lembrar o que foi prometido. E em terra onde o povo fala na lata, quem sustenta o que disse ganha respeito. Já quem fica só no discurso bonito corre o risco de ouvir na rua, meu amigo, isso aí tá meio atravessado.




