Lagarto, interior de Sergipe. Terra de povo trabalhador, de fé forte e de memória boa. Muito boa. E a memória coletiva da cidade está sendo ativada agora, e com gosto, depois que o vereador Gordinho de Jorge da Laranja largou uma bomba no plenário da Câmara: Sérgio Reis, o prefeito que decretou calamidade pública quando assumiu, está gastando mais do que a ex-prefeita Ilda Ribeiro, inclusive com folha de pagamento.
Sim, meu povo. O mesmo prefeito que subiu na tribuna, dedo em riste, gritando aos quatro ventos que a gestão passada era um desastre orçamentário, agora aparece com uma folha de pagamento que ultrapassa os 21 milhões de reais em um único mês. Pra quem não lembra, a ex-prefeita Ilda gastava “só” R$ 16,9 milhões, em setembro, segundo os próprios dados apresentados pelo vereador. A diferença? Um rombo de R$ 4.704.021,82. Ou seja: enquanto prometia enxugar, o prefeito abriu as torneiras e deixou o povo aprovado no concurso público chupando dedo.
E antes que algum assessor com jaleco de estatístico tente passar pano dizendo que “isso é projeção”, que “tem aumento da arrecadação”, que “houve reestruturação administrativa”… o vereador Gordinho foi claro: tem dinheiro pra festa, tem dinheiro pra cargo comissionado, tem até combustível a dar com pau (quase 15 milhões!), mas não tem chamada de concursado.
Cadê a moralidade prometida? Cadê a tal calamidade financeira que justificou o decreto emergencial no começo da gestão? Parece que o “estado de emergência” era só o álibi bonito pra fazer uma faxina política e abrir espaço pra aliados.
Gordinho não deixou barato: “Estão brincando com as pessoas que passaram no concurso”, denunciou, indignado, diante de aprovados que se prepararam, estudaram, pagaram taxa e agora veem seus sonhos serem engavetados em nome de um cabide que só cresce. Hoje, Lagarto já tem mais servidores contratados do que na gestão de Ilda. Era 10.359 na época dela. Agora já são 10.627, fora as terceirizações.
É um jogo velho: cria-se secretaria, nomeia-se apadrinhado, faz-se festa, distribui-se gasolina como se fosse ração de curral e, na hora de chamar quem passou por mérito, o discurso é de “austeridade”. Mais de R$ 20 milhões em eventos e nem uma viatura no Açuzinho?
E aí, Sérgio? Vai continuar enrolando quem passou no concurso? Ou vai encarar o espelho e admitir que a tal calamidade era só uma peça de teatro mal encenada? Porque o povo de Lagarto cansou de figurante. Quer protagonista. E, de preferência, concursado.




