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Câmara Municipal de Aracaju: onde o roteiro é previsível

Mais uma terça-feira legislativa em que os vereadores subiram ao palco, quer dizer, ao plenário, para entregar o de sempre: moções que ninguém pediu, requerimentos que ninguém responde, e projetos que brilham mais no Diário Oficial do que na vida do cidadão.

Enquanto o povo desvia de buraco e aperta o bolso pra pagar o IPTU, a Câmara debate com afinco o que realmente importa: títulos simbólicos, associações culturais de nome carnavalesco e homenagens que fariam qualquer parente distante se emocionar no grupo da família.

Prepare seu cafezinho institucional, segure o riso cívico e acompanhe os destaques dramáticos da semana, direto da cúpula do faz-de-conta político, onde tudo é aprovado com urgência — menos o que realmente muda alguma coisa.

Breno Garibalde (Rede) – Aprovou utilidade pública pra uma associação de artes cênicas chamada “Unidos em Asa Branca”. Porque nada grita urgência municipal como teatro alternativo com nome de bloco junino. O IPTU tá lá no céu, mas o povo vai poder ver peça sobre o sertão no porão do bairro.

Poder executivo – Mandou projeto perdoando débitos de IPTU e simplificando a burocracia. É o velho “lava a cara do contribuinte” com sabão de perdão. Quem pagou em dia se lascou. Quem deve, ganhou desconto e abraço. Aracaju virou o país do carnê feliz.

Sargento Byron (MDB) – Concedeu título de Cidadania Aracajuana pro Sr. Ionas Santos Mariano. Ainda não sabemos se é um herói local, um primo distante ou só alguém que estaciona certinho na vaga. Mas ganhou. Porque se tem algo que a Câmara de Aracaju distribui com gosto, é cidadania simbólica dá até pra colecionar.

Levi Oliveira (PP) –  Enquanto todo mundo desvia de buraco na José Carlos Silva, Levi quer dados, gráficos e relatório timbrado. O homem é praticamente um perito do asfalto. E ainda arruma tempo pra bater palmas pro Prêmio Olho Vivo, o “Oscar Sergipano”, porque em Aracaju até reconhecimento cultural precisa de carimbo oficial. Levi é do tipo que faz o dever de casa com protocolo e pose — entre o caos urbano e o glamour local, ele navega com cara de quem já viu coisa pior.

Bigode do Santa Maria (PSD) – Pediu explicações ambientais sobre uma área entre travessas 23A e 23B. Que é basicamente um ponto tão específico que nem o Google Maps sabe onde é. Mas Bigode quer saber se tão jogando esgoto, concreto ou promessa no matagal.

Maurício Maravilha (União Brasil) – Quer documentos do programa “Cidade do Futuro”. O problema é que o futuro de Aracaju costuma chegar atrasado, com o asfalto rachado e promessa de entrega em “30 dias úteis”. Maravilha tá tentando decifrar a ficção científica da gestão passada. Boa sorte, guerreiro.

Sargento Byron (de novo) – Mandou moção de solidariedade pra deputada Delegada Katarina. Porque nada cura um episódio lamentável como uma folha A4 cheia de palavras bonitas e nenhuma consequência. É o famoso “força aí” institucional.

Anderson de Tuca (União Brasil) – Fez moção de aplauso pro comandante da guarda municipal por apoiar o maior bloco carnavalesco de Aracaju, o Bloco Saudoso Tuca. Sim, é isso mesmo: o vereador aplaudiu quem ajudou o bloco dele mesmo. É o nível de auto-homenagem que faria Narciso pedir moderação.

FECHAMENTO DO DIA – Nove proposituras aprovadas. Três moções, três requerimentos, dois projetos e zero mudança real. Enquanto isso, a cidade segue no ritmo de sempre: buraco na rua, fila no posto, e vereador distribuindo mais papel do que solução. A política local continua sendo um espetáculo com muito figurino e pouca iluminação.

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