Na política, muitas vezes a inteligência não está na pergunta, mas na resposta. E foi exatamente isso que dois nomes de peso da cena sergipana mostraram recentemente: André Moura e Fábio Mitidieri. Cada um, ao seu estilo, deu a sua “chinelada”, daquelas que não precisam de grito, só de firmeza e clareza.
Quando questionado sobre cargos na Codevasf, André Moura respondeu com a calma de quem sabe onde pisa: “Aqueles que foram indicados pela Executiva Nacional têm que deixar os cargos, né? Quanto a isso, tô muito tranquilo, não tô preocupado. Estou preocupado em poder caminhar, em poder trabalhar, em poder estar ao lado do governador Fábio, trazendo boas notícias para Sergipe. Ontem estivemos em Japaratuba, hoje o governador vai anunciar uma série de obras ao lado do prefeito Rogério. Isso é o que vale: conversar com as pessoas. Cargos são passageiros. Da minha parte, não há problema nenhum. Eu tenho certeza: se tem uma coisa que eu aprendi na minha vida foi não me apegar a cargos.”
Tradução: enquanto muitos se apegam a fofoca de bastidor e cargos de gabinete, Moura coloca o foco em obras, projetos e resultados concretos. Foi uma resposta direta, firme e elegante, que desmontou qualquer tentativa de provocar polêmica.
E se a chinelada de André foi sobre apego a cargos, a de Fábio Mitidieri foi sobre a tentativa de jogar nas costas do governo um problema que não lhe cabia. Ao comentar a crise hídrica e a polêmica sobre a concessão, ele rebateu sem rodeios: “É, na verdade, pela desinformação, muita gente querendo… Muita gente que eu falo, principalmente de oposição, querendo fazer lacração em cima de um problema. O sofrimento da população virou uma oportunidade para algumas pessoas que tentavam embutir, na concessão, a responsabilidade de algo que era da DESO. A adutora que rompeu é da DESO. O serviço que foi prestado foi feito pelo governo do Estado, principalmente pela DESO. Mas nós contamos com o apoio da IGUAR, e eu tenho que agradecer à IGUÁ pelo apoio que ela deu, disponibilizando os carros-pipa e botando a estrutura à disposição. Mas tentar culpar a concessão por algo que é de responsabilidade da DESO foi a confusão que se tentou criar na população para tentar, de alguma maneira, atingir a imagem do governo. Eu lamento esse tipo de estratégia. Isso é mentira. Isso não dura, porque em três dias a gente soluciona o problema e a verdade começa a surgir.”
Aqui, a chinelada foi clara: tentaram fazer palanque em cima do sofrimento da população, mas Mitidieri devolveu com fatos e um recado seco, culpar a concessão foi uma manobra política, e quem apostou nisso acabou se desmoralizando quando a solução veio em tempo recorde.
O ponto em comum nas duas falas é evidente: a resposta inteligente cala mais fundo do que qualquer acusação rasa. André Moura mostrou que não se apega a cargos. Fábio Mitidieri mostrou que não se apega a boatos. Ambos transformaram perguntas incômodas em oportunidade para mostrar segurança e autoridade.
E aqui fica a lição: hoje em dia, jornalistas, radialistas e repórteres precisam estar muito bem preparados. Perguntas superficiais ou mal direcionadas acabam servindo de trampolim para esse tipo de resposta — a famosa “chinelada tranquila”, que desmonta o questionamento e ainda fortalece a imagem do entrevistado. No fim das contas, a política tem dessas: a pergunta pode ser fraca, mas a resposta, quando é firme, vira manchete. E as de hoje foram assim: cargos passam, o trabalho fica. Mentira cai, a verdade surge.




