Mais de 400 mm em Aracaju. Encostas cedendo no interior. Ruas viraram rios e a previsão segue implacável. Isso ainda é maio ou já virou monção?
As chuvas em Sergipe estão reescrevendo o calendário climático do estado. Só que sem poesia: é com lama, alagamento e sirene. Em vez de dias nublados, temos semanas inteiras afogadas em um volume de água que já rompeu todos os padrões de maio.
Aracaju: um mergulho sem aviso
A capital sergipana parece viver um déjà-vu eterno. Sempre que o céu escurece, o caos reaparece. Até o dia 20 de maio, foram 408 mm de chuva acumulada, ultrapassando com folga a média histórica de 275 mm. Isso não é só “chuva forte”, é recorde com gosto de emergência.
O bairro Ponto Novo foi o mais atingido nas últimas 24 horas: 84 mm em seis horas, sendo 43 mm em apenas uma. Resultado? Trânsito interrompido, veículos flutuando, moradores ilhados.
Três importantes vias da cidade foram interditadas pela SMTT:
- Avenida Ministro Geraldo Barreto Sobral, no Grageru
- Trecho da Gonçalo Prado Rolemberg com a rua Coronel Stanley Silveira
- Avenida Pedro Valadares, próximo à Igreja Quadrangular
E quem tentou sair de casa sem conferir o nível das águas virou passageiro do improviso.
Interior: quando a chuva desce e o chão sobe
Se na capital a água invade por baixo, no interior ela ameaça pelas encostas. Em Neópolis, o risco de deslizamentos levou a Defesa Civil a emitir alertas para várias famílias. Algumas já vivem o dilema entre sair de casa ou torcer para o barranco aguentar.
Em Estância, ventos e enxurradas causaram danos à cobertura de um comércio e à estrutura de uma feira na praia do Abaís. Foi rápido, intenso e — para quem estava lá — assustador.
Já em São Cristóvão, a preocupação se chama barragem Jaime Uberlino. O nível dos rios Poxim e Paramopama está sendo acompanhado de perto. Água demais em pouco tempo. E o solo, claro, já saturou.
E vem mais por aí
A previsão é direta: segue o tempo nublado com chuvas fracas a moderadas até o fim desta quarta-feira (21). O alerta meteorológico da Semac aponta possibilidade de trovoadas, ventos entre 40 e 100 km/h e chuva diária superior a 50 mm nas regiões mais afetadas, como Litoral e Agreste.
Quem mora em áreas de risco precisa ficar atento aos sinais: rachaduras no chão, movimentação de terra, água escorrendo onde não devia. E, claro, manter os contatos da Defesa Civil sempre à mão (ligação gratuita pelo 199).
Já enfrentou alagamento? Viu deslizamento de perto? Tem foto, relato ou alerta da sua região? Compartilhe com a gente e ajude a mapear os impactos dessas chuvas que não dão trégua.
Fontes Principais:
Infonet, A8SE, F5 News, Fan F1, SE.gov.br




