O combate às drogas em Sergipe virou rotina, e não por acaso. As forças de segurança do estado mostram apreensões quase diárias e uma estrutura de ação cada vez mais articulada. Mas será que essa “rotina” de operações significa vitória ou só retrata a dimensão do problema?
Estrutura em ação: quem está na linha de frente
O combate às drogas em Sergipe não é feito por um único batalhão isolado. Existe uma rede de órgãos que se articulam. Abaixo, resumo os principais atores:
- Secretaria da Segurança Pública de Sergipe (SSP), que coordena toda a política de segurança.
- Departamento de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil de Sergipe, responsável pelas investigações especializadas.
- Divisão de Inteligência da Polícia Civil (Dipol) e Agência Central de Inteligência da Polícia Militar de Sergipe (ACI-PM), com atuação no apoio de inteligência.
- Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Sergipe (FICCO/SE), criada em 2023, que reúne forças federais e estaduais para enfrentar o tráfico, as armas e a lavagem de dinheiro.
Essa articulação deixa claro que o combate às drogas em Sergipe não está apenas nas ruas, mas também nos bastidores. O efeito termômetro são os dados abaixo.
Quantitativos que impressionam (e incomodam)
Apreensões globais
| Período / órgão | Quantitativo | Observações |
|---|---|---|
| Operações das polícias Civil e Militar – 2024 | ≈ 6 toneladas | Total anual apreendido. |
| Batalhão de Radiopatrulha (BPRp) – até set/25 | 1.146 kg | Até setembro de 2025. |
| Polícia Rodoviária Federal (PRF) – rodovias – 1º semestre 2025 vs 2024 | + 1.200% aumento | Primeiro semestre, comparativo. |
| PRF – rodovias – até setembro/25 | > 700 kg | Apreensões federais em rodovias. |
Grandes apreensões pontuais em 2025
| Data | Localidade | Quantitativo | Detalhes |
|---|---|---|---|
| Julho | Residência no Coroa do Meio – Aracaju | 292 kg de maconha | Quatro presos. |
| Setembro | Nossa Senhora do Socorro | 200,9 kg de maconha + 0,708 kg de cocaína | Com prensa hidráulica e balanças. |
| Julho | Bairros Soledade e Bugio – Aracaju | > R$ 1,2 milhão em drogas | Dois presos de organização criminosa. |
| Outubro | Bairro Padre Enaldo – Nossa Senhora do Socorro | 19 kg | Durante patrulhamento. |
Bloqueios financeiros e incinerações
| Ano | Tipo de ação | Quantitativo |
|---|---|---|
| 2024 | Bloqueio pelo Denarc | ~ R$ 4,5 milhões (R$ 2 mi dinheiro, R$ 1,5 mi veículos, R$ 1 mi imóveis) |
| Abril/25 | Operação Indumentum | Esquema movimentou ~R$ 20 milhões entre 2021‑25; bloqueio de ~R$ 4 milhões |
| Julho/25 | Incineração pela MPSE | > 2 toneladas de drogas apreendidas |
| Abril/25 | Incineração pela Polícia Federal | 1,4 toneladas de entorpecentes |
Apreensões por substância e rotas do tráfico
O foco do combate às drogas em Sergipe também passa pelo que é apreendido e como entra ou segue para outras regiões.
As substâncias mais frequentes são maconha, crack e cocaína. A esse trio se somam drogas sintéticas como ecstasy, LSD e derivados de cannabis, além de haxixe.
Sergipe aparece como rota interestadual. As drogas vêm da Bahia e seguem para Alagoas, Pernambuco e outros estados do Nordeste.
Os corredores utilizados pelos traficantes são a BR‑101 e rodovias estaduais como a SE‑170 e SE‑361.
Essa combinação de substâncias, rotas e apreensões mostra que o combate às drogas em Sergipe exige atuação preventiva, inteligência policial, repressão direta e sufocamento financeiro das facções.
Operações de alto impacto: o “show de força” policial
Operação Soberba (setembro/2025)
A Operação Soberba, deflagrada pela Polícia Federal em 16 de setembro, é prova de que as investigações chegaram alto. Foram presos cinco dos sete investigados, com 25 mandados judiciais cumpridos em Lagarto, Campo do Brito, Barra dos Coqueiros (SE), São Paulo e Guariba (SP). O grupo movimentou cerca de R$ 5 milhões em transações suspeitas.
Operação Chemical III (maio/2025)
Coordenada pela FICCO/SE, a Operação Chemical III desmantelou um esquema de distribuição de cocaína e insumos químicos (cafeína, lidocaína, adrenalina, ácido bórico e tetracaína) remetidos de São Paulo para Sergipe. Foram cumpridos quatro mandados de prisão e houve bloqueio de até R$ 2 milhões em bens e contas.
Laboratórios e plantações clandestinas
Em agosto, a polícia encontrou um laboratório de maconha no bairro São José, em Aracaju, com 30 pés de maconha cultivados com LED, ventilação e fertilizantes.
Já em outubro, em Macambira, foram apreendidos 50 pés de maconha prontos para colheita, além de vasos com mudas e estrutura completa de secagem.
Esses casos evidenciam que o combate às drogas em Sergipe também precisa desmontar a produção local.
Violência, homicídios e domínio do tráfico
O tráfico de drogas em Sergipe está diretamente ligado à violência. Autoridades apontam que boa parte dos homicídios decorre de disputas por território de venda de entorpecentes.
Em 2023, o estado registrou 448 homicídios dolosos, ante 579 em 2022. Foram 131 vidas preservadas.
Em outubro de 2025, uma operação em Estância resultou na morte de dois suspeitos, um deles líder de facção baiana, que tentava expandir atividades criminosas na região.
Facções criminosas que atuam em Sergipe
Três grandes facções disputam o poder no estado: Primeiro Comando da Capital (PCC), Comando Vermelho (CV) e Bonde do Maluco (BDM), facção baiana que se aliou ao PCC e chegou a Sergipe em 2017.
Operações recentes também revelaram que uma facção paulista atua de forma estruturada, utilizando núcleos familiares para tráfico, homicídios e lavagem de dinheiro.
Tecnologia, inteligência e participação social
A atuação estatal combina inteligência, tecnologia e engajamento popular.
Na capital Aracaju, existem mais de 6.500 câmeras em 260 pontos estratégicos e 10 totens inteligentes. Só em 2025, o sistema ajudou a recuperar 25 veículos roubados ou furtados.
Canais de denúncia disponíveis:
- Disque-Denúncia (181), para denúncias anônimas.
- CIOSP (190), para atendimento emergencial da PM.
Essas ferramentas fortalecem a atuação integrada entre estado e sociedade.
Por que o “combate às drogas em Sergipe” funciona — e por que ainda falha
Por que funciona:
- Alta quantidade de apreensões e bloqueios de recursos.
- Integração entre forças policiais e órgãos de inteligência.
- Participação ativa da população.
Por que ainda falha:
- Volume expressivo de drogas ainda circulando.
- Facções adaptáveis e presentes no estado.
- Produção local não é pontual, é recorrente.
- O tráfico é um sistema que se reinventa.
Conclusão
O combate às drogas em Sergipe apresenta vitórias importantes, mas ainda não representa um ponto final. Há estratégia, ação integrada e resultados concretos. No entanto, o tráfico continua operando com agilidade e inteligência. A batalha é longa, complexa e permanente.
E você, leitor: qual deve ser o papel da sociedade nesse enfrentamento? Vale pensar, denunciar e, acima de tudo, cobrar.
Deixe nos comentários: você acredita que o combate às drogas em Sergipe está mudando de fato a realidade criminal no estado, ou só limpando a superfície? Compartilhe este artigo nas redes e contribua para ampliar o debate.
Fontes principais
G1 Sergipe; Infonet; Portal do Governo de Sergipe; Polícia Civil de Sergipe; Polícia Militar de Sergipe; Polícia Federal.




