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Começou a temporada do “larga o cargo e corre pra eleição” em Sergipe

A política sergipana entrou oficialmente naquela fase curiosa do calendário eleitoral em que muita gente começa a olhar para o relógio com mais atenção do que para as pesquisas. É o período da desincompatibilização, palavra complicada que, no bom português político, significa o seguinte: quem ocupa cargo público e quer disputar a eleição de 2026 precisa largar a cadeira antes de sair pedindo voto.

O Tribunal Superior Eleitoral já deixou o calendário claro. Para muitos cargos o prazo de afastamento é de seis meses antes da eleição, ou seja, até 4 de abril. Em outros casos o limite é de quatro meses, chegando a 4 de junho. Parece simples, mas é justamente nessa época que começa aquele corre corre nos gabinetes, com secretário pedindo exoneração, diretor avisando que vai “ouvir o povo” e político dizendo que agora vai dedicar o tempo inteiro à pré-candidatura.

A regra da desincompatibilização existe por um motivo bem objetivo. A lei quer evitar que alguém use a estrutura do cargo público como trampolim eleitoral. Nada de transformar secretaria em comitê, nem usar carro oficial para rodar fazendo campanha. A ideia é colocar todo mundo na mesma linha de largada, pelo menos no papel.

Em Sergipe esse período costuma agitar os bastidores da política. De repente começam as despedidas em repartições públicas, surgem substituições de cargos e alguns nomes conhecidos desaparecem temporariamente da administração para reaparecer alguns meses depois pedindo voto na rua. É o famoso momento em que a política troca o ar-condicionado do gabinete pelo calor da campanha.

Agora existe um detalhe que ninguém pode ignorar. Quem não respeitar o prazo de desincompatibilização pode simplesmente ficar inelegível. Ou seja, o político pode perder a chance de disputar a eleição antes mesmo de começar a campanha. Por isso, nos próximos meses, muita gente em Sergipe vai fazer uma coisa muito simples e muito estratégica ao mesmo tempo: largar o cargo no dia certo para poder correr atrás do voto depois.

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