Enquanto muita gente discutia esquemas táticos, favoritos e zebras da Copa, Cabo Verde encontrou seu herói em um goleiro de 40 anos chamado Vozinha. Dentro de campo, ele fechou o gol contra a Espanha. Fora dele, emocionou o mundo ao revelar que sua mãe não conseguiu viajar para acompanhá-lo por problemas com visto. No fim, a defesa mais bonita da noite não veio das luvas. Veio do coração
Irã e Nova Zelândia fazem 2 a 2 em jogo com cara de novela internacional – O Irã entrou em campo nos EUA já carregando mais tensão geopolítica do que mala de diplomata. Saiu atrás duas vezes, mas buscou o empate contra a Nova Zelândia no velho estilo: sofrendo, reagindo e deixando o torcedor com pressão de panela. Eli Just fez dois gols e virou o maior artilheiro neozelandês em Copas, porque, quando a história resolve aparecer, ela já chega pedindo faixa e microfone. No fim, 2 a 2, um ponto para cada lado e a sensação de que até a bola pediu visto diplomático para circular em paz.
Uruguai empata com a Arábia Saudita e Bielsa quase transforma posse de bola em religião – O Uruguai teve bola, teve pressão, teve finalização, teve quase 80% de posse e teve também aquele velho problema chamado gol. A Arábia Saudita fez o dela no primeiro tempo e estacionou duas linhas defensivas tão dentro da área que parecia fila de banco em véspera de feriado. Maxi Araújo salvou a Celeste no segundo tempo, mas o goleiro Al-Owais resolveu trabalhar como segurança patrimonial do empate. Resultado: 1 a 1 e Bielsa saindo com cara de quem desenhou 47 esquemas no quadro para empatar com quem só queria sobreviver.
Neymar segue fora, faz exame e a panturrilha vira protagonista da Seleção – Neymar ainda não treinou em campo e fez novos exames para acompanhar a lesão na panturrilha direita. A previsão de retorno segue mantida, mas a verdade é que a panturrilha do camisa 10 virou personagem fixo da Copa, com mais suspense que novela das nove. A comissão técnica não quer arriscar, até porque lesão de Neymar é assunto que começa no departamento médico e termina em mesa-redonda com 18 comentaristas. Contra o Haiti, a presença dele ficou improvável. A Seleção espera Neymar. O Brasil espera Neymar. A panturrilha, pelo visto, ainda está avaliando a proposta.
Vozinha fecha o gol, emociona Cabo Verde e deixa a Espanha olhando para o nada – Cabo Verde segurou a Espanha em um empate sem gols e o grande nome foi Vozinha, goleiro de 40 anos, que fechou o gol como quem fecha a porta de casa quando chega cobrador. Depois do jogo, ele chorou ao lembrar dos avós e da mãe, que não conseguiu viajar por problema com visto. Foi emoção pura. Dentro de campo, Vozinha virou muralha. Fora dele, virou personagem de Copa. A Espanha, favorita, ficou com a bola, com a posse e com aquela cara de quem foi comprar favoritismo e recebeu um boleto vencido.
Bélgica e Egito empatam no jogo mais esquecível da Copa – Bélgica e Egito fizeram 1 a 1 em uma partida que entrou para a história pelo esforço de não entrar para a história. O Egito até tentou dar enredo, Salah fez aniversário, deu assistência e quase virou roteiro bonito. A Bélgica tentou responder com De Bruyne, Doku e Lukaku, mas o gol belga saiu contra, porque até o destino achou melhor terceirizar a emoção. No fim, empate justo e um jogo tão discreto que, se passasse pela portaria, ninguém pediria documento.
Suécia atropela a Tunísia e transforma estreia em liquidação de gols – A Suécia estreou na Copa fazendo 5 a 1 na Tunísia e avisando que não veio para turismo, foto em estádio e lembrancinha de aeroporto. Ayari marcou duas vezes, Isak, Gyökeres e Svanberg também deixaram o deles, enquanto a Tunísia encontrou um gol no meio da tempestade. O problema é que, quando parecia reação, a Suécia apertava de novo e transformava esperança tunisiana em notificação de VAR. Foi goleada, foi domínio e foi aquela estreia em que o adversário sai perguntando se ainda dá para pedir reembolso da viagem.
Costa do Marfim espera o fim do jogo para acabar com a paciência do Equador – Equador e Costa do Marfim fizeram um jogo movimentado, com bola na trave, correria, chance perdida e aquela sensação de que o gol estava de férias. O Equador acertou o poste mais de uma vez, mas trave não conta no placar, por mais que muita seleção tente argumentar. Quando tudo caminhava para um 0 a 0 daqueles com currículo de injustiça, Diallo apareceu aos 44 do segundo tempo e garantiu a vitória marfinense. O Equador bateu, tentou, carimbou a trave e saiu com a velha lição da Copa: quem não faz, leva. E geralmente leva no fim, só para doer com requinte.




