Enquanto Aracaju tenta manter a pose de cidade limpa nos panfletos oficiais (redes sociais), a realidade no bairro Coroa do Meio é digna de roteiro pós-apocalíptico: sacos de lixo se acumulam, a fedentina reina e a Prefeitura… nada faz. Parece piada, mas é só a rotina nas imediações dos condomínios das pedras, zona sul da capital.
Perto do famoso Farol da Coroa do Meio, o que brilha mesmo é o reflexo do sol nos sacos plásticos estourados e no entulho jogado ao léu. Animais mortos completam o “mix sanitário”, que transforma o bairro num reality show de sobrevivência urbana, sem prêmio final e com risco de leptospirose na primeira prova.
A responsável pela por comandar a coleta (Emsurb), parece estar num universo paralelo. Prometeu resolver o problema. Até agora, nada. Nem caminhão, nem coleta, nem sombra de solução. O lixo, por outro lado, segue pontual: cresce mais rápido que obra superfaturada em ano eleitoral.
“Disseram que iam resolver, mas nada foi feito. A Emsurb parece que nem sabe que esse pedaço de Aracaju existe”, desabafa uma moradora, que pediu anonimato por medo de retaliações ou talvez por medo de pegar tétano só de dar entrevista.
E o cenário piora: enquanto o lixo se espalha, novos prédios estão sendo erguidos a poucos metros dali. Obra de um lado, rato do outro. Bem-vindo ao modelo de urbanismo que une progresso com epidemia no mesmo CEP. “Estamos vivendo uma calamidade pública. É um problema de saúde, com ratos, insetos e doenças na porta das nossas casas”, afirma outro morador, com mais firmeza que qualquer pronunciamento da Prefeitura.
A situação já dura semanas. E o recado é claro: a população cobra providência, mas o poder público entrega silêncio, mau cheiro e um show de desorganização. Enquanto a Emsurb não age, quem paga o pato (e convive com ele morto na calçada) é o morador.




